Cristãs recebem ameaças de extremistas hindus

| 15/08/2006 - 00:00


Extremistas hindus ameaçaram quatro cristãs acusadas de conversão "forçada" no estado de Tamil Nadu, enquanto dois padres de uma escola católica de ensino médio no estado vizinho de Karnataka foram agredidos.

Albert Lael, secretário organizador do Conselho Geral dos Cristãos da Índia, contou à agência de notícias Compass que, em 5 de agosto, a polícia levou um grupo de quatro mulheres da Igreja Comunidade Bom Pastor, da província de Erode, de Tamil Nadu, a fazer um acordo com a pessoa que as tinha acusado de conversão forçada.

Lael disse que em 29 de julho, Selva Kumar, supostamente membro do grupo extremista hindu Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), tinha registrado uma queixa na delegacia de polícia Malayampalayam, depois que quatro funcionárias da igreja - identificadas somente como Deepa, Jhabarani, Sangeeta e Selvi - exibiram um filme sobre Cristo no vilarejo de Chinnamalpuram.

Lael afirmou que mais de 150 aldeãos assistiram ao filme em uma área aberta, sem fazer nenhuma objeção. Entretanto, quando as mulheres estavam retornando para o vilarejo após a exibição do filme, Kumar, que provém de um vilarejo vizinho, as deteve e lhes fez ameaças caso elas continuassem a pregar.

"Em 29 de julho, quando as mulheres novamente foram ao vilarejo visitar famílias cristãs e realizaram um programa para crianças, mais de 50 pessoas dos vilarejos vizinhos as cercaram e as maltrataram", contou Lael.

Os aldeãos queriam que as mulheres declarassem por escrito que elas não exibiriam o filme, nem pregariam na região, mas como elas se recusaram a fazer o que eles queriam, eles as levaram até a delegacia de polícia.

O inspetor Palani Appam, da delegacia de Malayampalayam, contou ao Compass que depois que a polícia levou as mulheres a fazer um acordo de comprometimento, Kumar decidiu não registrar uma queixa formal.

"Como parte da promessa, foi solicitado que as cristãs não pregassem o cristianismo a qualquer um que se oponha ou não expresse vontade de escutar", disse ele.

O inspetor negou que a pessoa que registrou a queixa fosse do RSS. "Kumar é advogado", disse ele. "Ele não é membro do RSS. Ele tem origem dalit e a maioria das pessoas no vilarejo é dalit".

Agressões

Na mesma semana, o Congresso de Bispos Católicos da Índia informou que o padre Soby Thomas, vice-diretor da Escola de Ensino Médio St. Francis de Sales, em Hebbagodi, próximo a Bangalore, capital de Karnataka, e o administrador da escola, padre Vinod Kanat, foram agredidos em 25 de julho.

Os dois padres foram aparentemente agredidos com bastões de críquete por um grupo de 20 pessoas, no lado de fora de um albergue para estudantes pobres de Kammasandra. Eles foram levados às pressas a um hospital onde o padre Soby recebeu 16 pontos nos ferimentos de sua cabeça.

Soby contou à agência de notícias católica UCAN que, uma hora antes do ataque, alguns jovens em motocicletas pararam seu veículo e os hostilizaram, mas ele e o padre Vinod conseguiram escapar.
Logo depois que os padres chegaram ao albergue, quatro pessoas foram até os clérigos e disseram que queriam conversar com eles sobre os jovens que os havia atacado.

"Enquanto elesestavam no lado de fora do albergue discutindo o que havia acontecido, 15 jovens chegaram às pressas no local e seguiram os padres", informou UCAN. "Alguns meninos mais velhos viram o incidente e saíram correndo. Os agressores fugiram, mas começaram a jogar pedras nos padres e nos meninos que imediatamente foram buscar abrigo".

Mais tarde naquele dia, alunos da escola realizaram um protesto contra os culpados.
Dois dias depois (27 de julho), a polícia prendeu cinco pessoas envolvidas no ataque, mas, logo depois, foram libertadas sob fiança.

As vítimas são ecologistas conhecidos que lutam contra a poluição e a degradação ecológica na área - que está sendo vista como o motivo por trás do ataque.

O padre Soby disse que ele tem recebido ameaças desde que os Missionários de St. Francis de Sales iniciaram sua luta para a conservação do meio-ambiente em 1984.

Ele acrescentou que uma gangue local contratada por diferentes pessoas tentou organizar vários ataques anteriormente. Ele insinuou que uma companhia farmacêutica local poderia estar envolvida no ataque.


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