Quatro cristãos indianos são agredidos na saída do culto

| 23/08/2006 - 00:00


Extremistas hindus agrediram quatro cristãos, no domingo, 20 de agosto, no Estado de Madhya Pradesh. Uma das vítimas é um pastor e, depois, todos foram presos sob acusação de "conversão forçada".

Cerca de 15 extremistas espancaram os cristãos com bastões de hóquei, logo após o término do culto, por volta das 10h30. Depois do ataque inicial, os extremistas arrastaram os cristãos para a delegacia de Sheopur. Durante o percurso de 500 metros, os agressores continuaram a agredir as vítimas. A polícia prendeu os cristãos, uma vez que já havia sido registrada uma queixa contra eles.

O pastor K.K. Jwala, da Comunidade Bíblica Sheopur, e três membros, identificados apenas como Anup, Jijo e Raju Mathew, foram soltos na noite de segunda-feira.

O encarregado da delegacia, Hukum Singh Yadav, teria também agredido o pastor Jwala na cadeia. Hukum Yadav não foi encontrado para comentar a acusação. Os quatro acusados terão de comparecer perante a corte em 30 de agosto.

A Comunidade Bíblica de Sheopur se reúne em um salão alugado na área de Kila, em Shivpuri, distrito de Sheopur. Os três membros são professores da Alpha Escola de Inglês, onde a igreja costumava se reunir anteriormente.

Um líder da Equipe Índia, responsável pela Comunidade Bíblica, disse ao Compass que os cristãos estavam se recuperando de ferimentos internos. "O pastor Jwala tem um hematoma no pescoço e dores no ouvido", contou o líder, pedindo anonimato.

As vítimas identificaram seis dos agressores como Bharat Singh Sikavas, Devendra Singh Kushwah, Ram Lakhan Natakhedi, Shyam Singh Jat, Dharmendra Jat e Sharfuddin Khan, que seria o líder local do partido Bharatiya Janata (BJP).

Cristãos locais suspeitam que um membro do governo do BJP esteja por trás da queixa. "Quando fomos à delegacia na tarde do domingo, para encontrar os cristãos detidos e afiançá-los, vimos o legislador Durgalal Vijay sentado lá", disse o líder da Equipe Índia. "E a polícia não permitiu que víssemos os cristãos ou que os mandássemos ao médico para serem examinados".

Por volta das 18 horas do mesmo dia, a polícia levou os acusados cristãos ao magistrado, que os manteve sob custódia judicial.

Suposto aliciamento

Os cristãos foram acusados sob o Ato de Liberdade Religiosa de Madhya Pradesh de 1968, depois que Manoj Prajapati registrou uma queixa alegando que eles tinham lhe oferecido um emprego se ele se convertesse ao cristianismo.

"É possível que Manoj tivesse o costume de freqüentar nossa igreja algum tempo atrás", disse a fonte da Equipe Índia. "Ele também foi a um acampamento dos jovens. Identificamos o nome e o endereço, mas ainda precisamos confirmar se é a mesma pessoa".

Lansinglu Rongmi, secretário da Associação Legal Cristã da Índia, disse que como as seções 3 e 4 da lei anticonversão do Estado (sob a qual os cristãos foram presos) são afiançáveis, a polícia deveria tê-los libertado sob fiança quando os companheiros foram procurá-los. A polícia não registrou nenhuma queixa contra os agressores.

Em Madhya Pradesh, Estado governado pelo BJP, têm sido relatados vários incidentes envolvendo ataques a obreiros cristãos e depois a sua prisão sob a lei anticonversão. A Comissão Nacional para Minorias recentemente confirmou que os cristãos têm sido atacados e acusados falsamente de conversão forçada.

O Legislativo aprovou, em 25 de julho, uma emenda que torna mais rígida a lei anticonversão. A emenda exige que o clérigo e o "futuro convertido" notifiquem as autoridades da intenção de mudar de religião um mês antes da "cerimônia de conversão".

Atualmente a lei requer que a notificação seja feita sete dias antes da conversão. Com a emenda, uma vez que notificação seja recebida, as autoridades decidem se a conversão é "forçada" ou "por aliciamento". O projeto está aguardando a aprovação do governador do Estado.


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