Encontrado morto editor que questionou Maomé

| 12/09/2006 - 00:00


Foi encontrado na quarta-feira (6/9), em uma estrada nos arredores de Cartum, o corpo decapitado do editor do jornal sudanês al-Wifaq, Mohammed Taha. O jornalista havia sido levado de sua casa na noite de terça-feira por um grupo de homens armados.

No ano passado, Taha foi a julgamento sob acusação de blasfêmia depois que seu jornal, pró-governo, publicou artigos questionando a origem do profeta Maomé. O jornal ficou fechado por três meses, e as acusações foram posteriormente retiradas; se condenado, o editor receberia sentença de morte. Durante o julgamento, milhares de manifestantes se reuniram em frente ao tribunal no centro de Cartum pedindo pela condenação de Taha.

Radicalismo

Segundo o correspondente da BBC em Cartum, Jonah Fisher, apesar de ninguém ter assumido a autoria do crime, as suspeitas recaem diretamente sobre grupos islâmicos linha-dura. A polícia local fez algumas prisões, mas parece estar longe de solucionar o caso. Fisher afirma ainda que a morte de Taha - que era aliado do governo islâmico - promete aumentar o receio de que grupos extremistas estejam novamente em atuação no país.

Mesmo sendo muçulmano, Taha tinha, segundo colegas de trabalho, pontos de vista estranhos que enfureciam a população de maioria muçulmana sunita. Na década de 90, ele sofreu ameaças de morte depois de escrever um artigo sobre o líder muçulmano Hassan al-Turabi.

Violência e caos

O brutal assassinato estampou a primeira página dos jornais sudaneses na quinta-feira. O diário al-Watan chegou a alertar que este tipo de derramamento de sangue raramente termina com apenas um crime. Quando você abre esta porta diabólica para o inferno e facas e balas tomam o lugar da caneta, estamos no caminho para o caos.

Segundo nota de Opheera McDoom , a forma como o corpo do jornalista foi encontrado - mãos e pés amarrados e a cabeça próxima ao corpo - lembra crimes similares no Iraque. O Sudão abrigou o líder da organização terrorista al-Qaeda, Osama bin Laden, na década de 90, e o país continua na lista dos EUA de patrocinadores do terrorismo. Cartum é governado pela rígida lei islâmica Sharia desde 1983, mas há alguns anos os tribunais locais têm mostrado sinais de afrouxamento das interpretações da lei.


Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

© 2021 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE