Coragem e honra no Irã

| 06/10/2006 - 00:00


A situação da Igreja no Irã é bastante similar à da Igreja no primeiro século: conversões em massa, perseguição, sinais e prodígios, sonhos e visões. Apenas Deus sabe quantos muçulmanos iranianos se entregaram à Cristo através de programas cristãos de TV via satélite.

Uma história típica é a de Hanan. Ela era uma muçulmana devota que pediu a Deus para lhe mostrar o caminho verdadeiro. Ela sonhou uma noite com um grande edifício, com muitas pessoas falando línguas estranhas. Ela seguiu um feixe de luz que vinha de cima e, à medida que ia para fora do prédio, atrás da luz, Hanan entendeu que aquele lugar era uma igreja e que o feixe de luz era Jesus. Depois de se tornar cristã, ela mudou para melhor e suas irmãs também se converteram.

A maioria dos novos crentes é jovem e muito apaixonada por sua fé em Cristo. Mas, por causa do medo, muitos permanecem como "crentes secretos", não ligados a uma congregação ou a uma igreja doméstica.

Entretanto, paralelo a esse avivamento cristão, há um reavivamento islâmico, determinado a arrancar pela raiz e destruir influências corruptoras como o cristianismo. A perseguição se tornou uma política do Estado e está sendo implementada em todos os níveis e em várias formas no Irã.
 
Os cristãos dizem que a perseguição aumentou notoriamente, e que estão sofrendo maiores dificuldades desde a eleição do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, em agosto de 2005. Ele jurou restaurar um governo islâmico no Irã.

Acusações falsas

Cristãos foram acusados de tráfico de drogas como Issa Motamedi Mojdehi, de 31 anos. Mas, até funcionários da polícia secreta disseram que o verdadeiro crime de Issa era ter se convertido do islamismo ao cristianismo há sete anos. Os funcionários disseram-lhe que, a menos que ele renunciasse sua fé em Cristo e voltasse ao islamismo, ele ficaria na cadeia e poderia até ser executado. A conversão ao cristianismo acarreta pena de morte na República Islâmica do Irã.

Issa foi libertado sob fiança no dia 24 de agosto. Disseram-lhe que ele estava "livre por agora", mas o juiz apresentou novas acusações - de que sua filha Martha, de 8 anos, havia tentado levar outras cristãs para a fé cristã.

Outros, como o pastor Hamid Pourmand, ex-coronel do exército, foi libertado depois de dois anos na prisão e ainda foi avisado de que, se voltasse aos cultos da igreja, poderia ser preso de novo.

Ali Kaboli, de 51 anos, foi solto em junho, mas ainda pode ser condenado à pena de morte por ter se convertido ao cristianismo há 35 anos.

Pressão psicológica

Enquanto estão na cadeia, os prisioneiros sofrem forte pressão psicológica, e até ouvem ameaças de que sua família e outros cristãos serão mortos se eles não renunciarem Cristo e voltarem ao islamismo.

O dissidente iraniano Akbar Ganji, preso por seis anos, diz que muitos dos prisioneiros de consciência são mantidos em solitárias, sem fundamentos legais para sua prisão, acesso a livros, jornais, telefone, representantes legais ou contato com suas famílias.

Nos últimos meses, cristãos também perderam seus empregos, tiveram seus negócios fechados e perderam seu sustento.
 
A agência de notícias Compass Direct soube que o governo priva os convertidos dos seus meios de sustento, em uma tentativa de "asfixiar a igreja". A fonte que revelou isso ao Compass ainda disse: "Muitos cristãos perderam seus empregos depois da intervenção da polícia de segurança". O objetivo das autoridades, segundo essa pessoa, é forçar os cristãos a deixarem o Irã para sempre.

O Compass também relatou que, em cinco incidentes durante agosto, a polícia iraniana oprimiu e maltratou crentes em Cristo, alguns dos quais haviam fugido de suas cidades de origem para viver mais discretamente em cidades maiores.
 
Outros cristãos foram agredidos pela polícia em suas casas, como aconteceu a duas jovens em uma cidade no sul do Irã. Uma delas ficou presa por diversos dias e, depois que foi solta, recebia telefonemas diários da polícia, que ameaçava prendê-la de novo e, com ela, seus irmãos e seus pais.

Os poucos líderes protestantes que restam, os quais ainda podem se reunir, são instados constantemente a colaborar com os investigadores do governo, fornecendo-lhes os nomes dos membros de suas igrejas, em particular dos que são ex-muçulmanos.

Tudo por Jesus

Alguns pastores têm dado suas vidas por sua fé. Em novembro passado, Ghorban Dordi Tourani, um ex-muçulmano de 53 anos, foi preso pela polícia secreta e, algumas horas depois, seu corpo esfaqueado foi jogado na frente de sua casa em Gonbad-e-Kavus, onde ele vivia com sua esposa e seus quatro filhos.

De maneira maravilhosa, um ano antes de sua morte, Ghorban escreveu essa oração: "Senhor Jesus, deixe-me glorificar seu santo nome em todos os momentos da minha vida nessa terra. Desejo dar minha vida, que lhe pertence, em favor do Senhor e de sua igreja".

Nos dias seguintes ao assassinato de Ghorban, representantes da temida polícia secreta do Irã - o Ministério da Inteligência e Segurança -, prendeu e torturou de forma severa outros dez cristãos em diversas cidades, e invadiu as casas de todos os cristãos conhecidos na cidade de Ghorban.

O atual ex-ministro do Interior, Mahmoud Saeedi, já havia sido diretor desse Ministério. Ele, entretanto, foi demovido de seu cargo em 1999, depois da grande cobrança feita quando ficou claro que seu departamento havia supervisionado o assassinato brutal de três líderes da Igreja iraniana em 1994 e 1995. 

Entre os mortos estava Mehdi Dibaj, solto da prisão em janeiro de 1994 devido a um clamor mundial iniciado por seu amigo, o bispo Haik Hovspeian Mehr. O próprio Haik foi seqüestrado e assassinado apenas três dias depois da morte de Mehdi.  A notícia da morte de Haik foi dada à família pelas autoridades. Mehdi foi assassinado de forma parecida em junho daquele ano, e seu corpo foi encontrado ao oeste do parque de Teerã.

Aprendendo a perdoar

A viúva de Haik, Takoosh, contou como Deus a ajudou a perdoar seus inimigos e, ainda mais, a amá-los.

Em um primeiro momento, ela clamou a Deus: "Senhor, você está me pedindo demais, Como eu posso amá-los quando eles mataram o amor da minha vida?". Entretanto, ela conta como Deus tomou-a gentilmente pela mão e a ajudou. Aos poucos, ela chegou a um ponto onde percebeu que podia amar seus inimigos. Ela começou a ver os extremistas islâmicos como ovelhas perdidas sem um pastor. Ela diz que Deus a capacitou a amar.

Takoosh explica: "O louvor é um instrumento poderoso para superar as dificuldades. Mas também são armas poderosas: a leitura da Palavra de Deus, o apoio de outros irmãos, a simpatia das pessoas que visitam ou telefonam, e o amor que irmãos de todo o mundo expressaram em seus cartões e cartas".

É aqui que organizações, como a Portas Abertas (que entregam Bíblias, mobilizam orações, coordenam campanhas de cartas) podem ser os salva-vidas dos cristãos sofredores e perseguidos.

"Poderia ter me tornado amarga com o que aconteceu. Em vez disso, escolhi obedecer a Deus. Ele me ensinou a confiar nele totalmente e a entregar minha vida para Ele" conclui Takoosh.

A morte de Haik não foi em vão, pois muitos se inspiraram com sua coragem. Avin se tornou crente em Jesus no funeral de Haik. Ela disse que, se alguém chegou ao ponto de oferecer sua vida como Haik fez, o cristianismo teria que ser verdade. Nos últimos dois anos, Deus tem usado Avin para levar outros a Jesus e, assim, a Igreja continua a crescer, apesar da opressão.

O conceito de honra

Entretanto, para muitos ex-muçulmanos, a maior oposição e perseguição geralmente vêm de sua própria família, por causa do conceito de honra.

Esse conceito envolve punição, geralmente por morte, daqueles que rejeitam o sistema religioso e o código de conduta da família e da comunidade.

As mulheres que deixam o islamismo sofrem o divórcio e a perda de seus filhos. Algumas até lutam para serem aceitas pela Igreja, já que muitos cristãos no mundo islâmico temem repercussões e até traição de muçulmanos convertidos.

Clamor pelo Irã

Em meados deste ano, os líderes da Igreja iraniana divulgaram uma declaração conjunta que diz em parte: "Não podemos expressar o quanto os cristãos iranianos se sentem encorajados e gratos por terem tantas pessoas conosco em oração. Acreditamos que o Senhor ouvirá o clamor de seu povo. Por isso, incentivamos a todos que continuem a orar e a espalhar esse pedido de oração. Vamos ver milhões de pessoas orando pelo Irã e vamos testemunhar juntos como Deus pode transformar uma nação".

(Escrito por Nina Kelly - Portas Abertas Reino Unido)


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