Pastor sul-coreano é expulso do Cazaquistão

| 24/11/2006 - 00:00


O pastor sul-coreano Kim U Sob que liderava a Igreja Presbiteriana do Amor no sul da cidade cazaque, de Kyzyl-Orda , pelos últimos oitos anos, foi forçado a deixar o país, contou Aleksandr Klyushev, da Associação das Comunidades Religiosas do Cazaquistão, ao Serviço de Notícias Forum 18. A Polícia de Migração local recusou dar permissão ao pastor para prorrogar seu visto e permanecer no país, depois de ter sido condenado em junho por realizar "trabalho missionário sem registro".

O pastor Kim foi credenciado para realizar trabalho missionário na cidade de Kyzyl-Orda, mas não na região mais ampla. "Acompanhamos o pastor até o avião hoje", contou um membro da igreja que preferiu não ser identificado, em 14 de novembro.

O diretor da Polícia de Migração da região de Kyzyl-Orda, Amyrbek Shaimagbetov, contou que "com toda a boa vontade do mundo", não poderia prorrogar o visto de Kim U Sob. "Conforme a lei cazaque, um estrangeiro tem que dar uma razão consistente para a extensão de sua estada no Cazaquistão", contou ele. "A akimatda cidade recusou dar a Kim U Sob sua credencial de missionário".

Ibadullo Kuttykhojayev, da Administração da Cidade de Kyzyl-Orda, admitiu que havia recusado dar o registro do pastor Kim. "Através da lei, temos que obter informações com as agências de execução da lei sobre ele antes de podermos dar-lhe um registro de missionário", afirmou ele. "A resposta veio da Administração dos Assuntos Internos da região de Kyzyl-Orda dizendo que Kim U Sob havia cometido uma violação administrativa depois de se engajar na atividade missionária sem registro. Por isso, tivemos que recusar a prorrogação de seu credenciamento missionário".

Violação dos direitos humanos

Curiosamente, em vista das acusações contra ele, o pastor Kim estava entre os líderes religiosos de Kyzyl-Orda e fora convidado para falar em um evento oficial que se realizaria em um centro cultural, em 18 de outubro, para marcar o Dia da Unidade Espiritual e Conciliação. Isso marca um evento oficial cazaque de 1992: o "Primeiro Congresso de Acordo Espiritual", e é um dia oficialmente dedicado para comemorar "todos os direitos" alcançados por "pessoas e comunidades religiosas", e comemorar a declaração oficial de que o "Cazaquistão é um dos primeiros países que tentou transformar a idéia de acordo espiritual em realidade". Um relato do evento permanece na página da web da administração regional de Kyzyl-Orda. As acusações contra o pastor Kim e a sua condenação violam os padrões de direitos humanos internacionais.

O pastor Kim foi acusado de atividade missionária ilegal depois de a polícia ter invadido a casa de um membro da igreja que ele estava visitando na região de Kyzyl-Orda. "Ele nem suspeitou que uma socialização amistosa pudesse ser classificada como atividade missionária", contou um membro da igreja ao Forum 18. "Entretanto, a polícia repentinamente entrou na casa onde ele estava se hospedando e filmou todas as pessoas presentes. A situação dos direitos dos cristãos no Cazaquistão está começando a parecer com a da década de 1930. Recentemente, a polícia estava literalmente nos calcanhares do pastor".

Klyushev informou que Kim foi condenado em junho por realizar trabalho missionário na região sem registro. Então, ele foi multado em aproximadamente 20 mil tenges (156 dólares).

Emendas extremistas

Em fevereiro de 2005, o presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, assinou emendas legais "extremistas", que restringiam a liberdade religiosa. Em julho de 2005, o presidente Nazarbayev assinou emendas legais de "segurança nacional", que estabeleciam mais limites significativos sobre a liberdade religiosa. Conforme as emendas de "segurança nacional", organizações religiosas não registradas são proibidas no Cazaquistão, e missionários devem se registrar com as autoridades locais.

O professor Roman Podoprigora, que é especialista em lei cazaque e em como ela afeta a religião, aponta que há discussões sobre a obrigatoriedade de registro. "Por um lado, de acordo com as emendas da lei sobre segurança nacional, somente os seguidores de religiões que não são registradas no Cazaquistão são considerados missionários. Por outro, os missionários que buscam registro devem fornecer um convite de uma organização religiosa que esteja registrada no Cazaquistão", disse ele. "Então, há uma contradição fundamental nestas emendas".

Podoprigora disse que, na prática, oficiais geralmente consideram todos os clérigo estrangeiros que vão para o Cazaquistão a fim de pregar como missionários, mesmo se forem representantes de crenças religiosas que são registradas no país. "Kim U Sob se tornou uma vítima desta imagem feita pelos oficiais", comentou à Forum 18.

Outras restrições à liberdade religiosa, através das mudanças da Lei de Anti-terrorismo no Cazaquistão, estão sendo planejadas pela polícia secreta KNB para o fim do ano de 2006.  Nos últimos meses, protestantes contaram que enfrentam crescentes restrições em suas atividades, especialmente nas partes sulistas e ocidentais do Cazaquistão. 


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