Presbítero é assassinado em Mosul

| 05/12/2006 - 00:00


Ontem, enquanto parte dos cristãos de Mosul estava de luto pelo assassinato de um presbítero da Igreja Presbiteriana, outro sacerdote iraquiano foi seqüestrado em Bagdá.

O presbítero martirizado, identificado apelas como Munthir, de 69 anos, foi seqüestrado depois de dirigir um culto na Igreja Presbiteriana Evangélica Nacional em Mosul, no dia 26 de novembro. Seu corpo foi encontrado quatro dias depois.
 
Ele é o segundo líder cristão iraquiano a ser assassinado em Mosul nos últimos dois meses.
 
Por causa das ameaças terroristas direcionadas à comunidade cristã de Mosul, os contatos falaram à agência de notícias Compass sob condição de anonimato.
 
Algumas testemunhas de Mosul disseram que dois carros encurralaram o presbítero na frente de sua casa às 11 horas, enquanto ele voltava do culto.
 
"Um dos passageiros tinha uma pistola, e nós o vimos pegando o presbítero e colocando no porta-malas do carro."
 
Os seqüestradores entraram em contato com a família de Munthir mais tarde, naquele  mesmo dia, por meio do celular dele, e confirmaram o seqüestro. A princípio eles exigiram 1 milhão de dólares de resgate. Eles negociaram nos três dias que se seguiram com os parentes e os amigos do cativo.
 
Um contato de Mosul chegou a descrever os telefonemas dos raptores, que diziam: "Estamos com ele e vamos matá-lo. Vamos cortar a garganta dele. Vamos nos vingar das palavras do papa. Vamos nos vingar de vocês todos. Queremos nos vingar de todos os cristãos, e vamos começar por ele".
 
Essa pessoa disse que os bandidos se mostravam "agressivos e perversos", mas que "essas pessoas de grupos islâmicos extremistas não representam o verdadeiro islamismo".
 
Embora os seqüestradores tenham dito na quarta-feira (29 de novembro) que a volta do presbítero estava "quase resolvida", eles não entraram mais em contato.
 
Na manhã seguinte, o corpo do presbítero foi descoberto, jogado em uma rua de Mosul, com uma bala em sua cabeça. A polícia forense estimou que a morte dele aconteceu às 19 horas da quarta-feira.

Geração presbiteriana
 
Desde 1974, Munthir trabalhava em vários ministérios da Igreja Presbiteriana no Iraque, que o nomeou presbítero em 2000. Ele era a sexta geração de sua família a servir na Igreja Presbiteriana de Mosul, criada em 1840 por dez famílias cristãs. Munthir era um engenheiro elétrico, era casado e pai de quatro filhos.
 
Há dois meses, ele foi ameaçado por telefone. Disseram que ele seria morto se fosse à igreja de novo.
 
Munthir respondeu à ameaça: "Ninguém na terra pode me impedir de ir à minha igreja". No dia seguinte, ele voltou à igreja para pregar um sermão sobre Deus e seu amor.
 
Um membro da igreja disse que ficou aterrorizado e preocupado quando soube do rapto. "Mas então eu abri a Bíblia no livro de Jó, onde o diabo pedia a Deus para parar de proteger Jó. Deus permitiu que o diabo tocasse na família, no dinheiro, no corpo e na saúde de Jó, mas não em sua alma. Acredito que Jesus morreu para proteger Munthir, então o diabo não pode tocar em sua alma."
 
No dia seguinte ao enterro de Munthir, um cristão disse ao Compass que muitos dos amigos do presbítero acharam que seria perigoso irem ao funeral. Ele também disse: "Essa é uma grande tragédia. As coisas estão piorando mesmo aqui, e nós precisamos de suas orações".

Outro cristão disse: "Nunca vamos parar de pedir para Deus nos livrar disso. Mas também vamos orar, pedindo para Ele mostrar sua vontade nisso tudo. Munthir era um presbítero em nossa igreja, e ele servia ao Senhor por 40 anos. Mas Deus permitiu que ele fosse morto. Se Deus quisesse que ele estivesse vivo, Ele era capaz de fazer isso. Não se trata de Deus proteger ou não".
 
Clérigo raptado

O patriarcado católico caldeu de Bagdá confirmou que o padre Samy Abdulahad foi seqüestrado na manhã de ontem em seu carro, enquanto ele saía de sua igreja no distrito de Al-Sinaa, perto da Universidade de Tecnologia.
 
Segundo Ankawa, um site cristão de notícias, o patriarcado fez um apelo ontem, pedindo a libertação do sacerdote. Samy também é professor de teologia no seminário caldeu Babel.
 
O arcebispo caldeu Louis Sako comentou: "É terrível. O seminário Babel deveria abrir amanhã (dia 5 de dezembro)". A escola teológica atrasou em vários dias sua abertura, que seria no início da primavera, por causa da crescente violência em Bagdá.
 
"Como cristãos, estamos entregando muitos mártires, muito sangue, pelo nome de Jesus aqui no Iraque", disse outro cristão iraquiano ao Compass no fim de semana.
 
Segundo o Ministério do Interior, o número de civis mortos no Iraque subiu 44% em novembro, em comparação ao mês anterior. Embora os dados oficiais confirmaram a morte de pelo menos 1.850 civis iraquianos no mês passado, a ONU estima que tenha sido mais que o dobro.


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