Turcomenistão: "Os maus tempos estão de volta"

| 30/05/2007 - 00:00


Em 20 de maio, os membros de uma igreja protestante da vila de Dogryyol, distrito de Serdarabad, tiveram suas casas invadidas e revistadas por policiais.

Nos dois dias seguintes, foram realizadas reuniões abertas nas quais os membros da igreja foram humilhados e ameaçados publicamente.

Esses protestantes são membros de uma igreja turcomana não registrada, liderada pelo pastor Rahim Borjakov.

Para o embaraço do governo, esses ataque e ameaças em Dogryyol coincidiram com a visita de Christian Strohal, diretor do Escritório para Instituições Democráticas e de Direitos Humanos (ODIHR) da Organização para Cooperação e Desenvolvimento da Europa (OSCE). Durante sua visita, o embaixador Christian se reuniu com o presidente Gurbanguly Berdymukhamedov quando falou sobre questões de direitos humanos.

Os ataques em Dogryyol começaram na noite de 20 de maio, quando três ou quatro homens uniformizados invadiram a casa de um líder da igreja. Eles revistaram a casa toda, querendo achar alguma coisa, alguns protestantes disseram à agência de notícias Forum 18.

Então eles se dirigiram à casa de um segundo líder. Este disse aos homens que não podiam revistar sua casa sem um mandado. Foi aí que um deles disse ser da polícia secreta do Ministério de Segurança do Estado. O líder, entretanto, disse que queria uma prova disso. Então, um grupo maior de homens se uniu àqueles, incluindo o chefe da administração do distrito, o chefe da cooperativa agrícola e o juiz regional. Eles ameaçaram aquele líder e revistaram a casa.

O último ataque aconteceu na casa do pastor Rahim. Mas como ele não permitiu que revistassem sua casa sem um mandado, o grupo inspecionou o lado de fora da casa e o telhado. Eles também o ameaçaram. Rahim lhes disse que se eles procuravam livros cristãos, ele estava preparado para lhes entregar alguns, e assim ele fez. Os homens disseram que lhe causariam mais problemas e então foram embora.

Reuniões e ameaças

No dia seguinte, o governo local marcou uma reunião de pais e filhos na escola da vila. As autoridades separaram os pais protestantes e lhes disseram que se eles e sua família não parassem de ir a cultos protestantes, seus filhos seriam expulsos da escola. Também ameaçaram cortar a eletricidade, gás e água de suas casas.

Uma reunião ainda maior foi feita na noite de 22 de maio e a vila toda foi convocada. A reunião foi dirigida por magistrados, o chefe da cooperativa agrícola, a polícia secreta, a polícia comum e o juiz regional.

Eles leram os nomes de pais cristãos, fizeram-nos ficar em pé e os repreenderam. Além das ameaças já feitas, os líderes disseram que os cristãos seriam despedidos de seus empregos e não teriam direito a uma terra para cultivarem. Eles acusaram os cristãos de realizarem atividades criminosas e políticas contra o governo. Também disseram que fariam o que fosse preciso para oprimi-los e destruí-los.

Quando o pastor Rahim teve a oportunidade de falar, ele explicou que os cristãos não são criminosos e que seus ensinos são bons. As autoridades tentaram fazê-lo se calar, mas ele disse que, como cidadão, tinha o direito de prosseguir. O pastor disse que os cristãos são cidadãos do país e praticam seus deveres. Ele também informou que a sua igreja buscava se registrar.

Aquela noite terminou com mais ameaças e com as autoridades alertando os cristãos de que eles poderiam seguir sua fé individualmente, mas seriam proibidos de se reunir.

Alguns cristãos disseram que, tendo em vista o que aconteceu, alguns pais não cristãos que deixavam seus filhos irem aos cultos mudaram de idéia por causa das ameaças.

Segundo o Forum 18, ataques do governo contra os protestantes aumentaram desde a morte do presidente Saparmurat Niyazov em dezembro passado. A igreja de Dogryyol não havia sido importunada durante os últimos anos, mas a pressão cresceu neste ano.

Reuniões abertas como estas, feitas para humilhar os cristãos, ameaças e opressão foram praticadas durante a pior onda de perseguição, de 1997 a 2003. Parece que os maus tempos estão de volta, disse um cristão.

A opressão recai especialmente sobre as congregações protestantes compostas por turcomanos (o país é formado por seis grupos étnicos) ou por grupos étnicos considerados muçulmanos.

No começo deste mês, congregações em Turkmenabad e Dashoguz foram atacadas e interrogadas. Na cidade de Turkmenbashi, o batista Vyacheslav Kalataevsky foi sentenciado a três anos no campo de trabalhos forçados, e cinco dias depois outro batista, Yevgeny Potolov, foi detido. Desde janeiro, um protestante de Dashoguz, Merdan Shirmedov, tem seu visto negado e não pode ir ter com sua esposa que está nos Estados Unidos.


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