Viúvas de Malataya contam os últimos dias de seus maridos

| 07/06/2007 - 00:00


Na manhã do dia 8 de abril, Necati Aydin, 36 anos, dedicava todo o seu trabalho a Jesus Cristo. Naquele dia, cinco muçulmanos foram à editora e distribuidora de Bíblias Zirve, onde Necati trabalhava e disseram amistosamente que queriam saber mais sobre o cristianismo. Eles fingiram que estavam em busca de ajuda, disse o pastor Ihsan Ozbek.
 
Necati amava servir a Deus, era sua paixão e objetivo de vida, disse a esposa dele, Shemsa Aydin. Nascido em uma família islâmica, converteu-se ao cristianismo em 1994. A família dele estava muito preocupada com a conversão, conta Shemsa. Eles até chegaram a apontar uma arma para a cabeça dele para que se reconvertesse, mas ele não aceitou.

Dez dias depois da visita, no dia 18, aqueles homens revelaram sua verdadeira intenção e promoveram um ataque brutal que deixou toda a comunidade cristã na Turquia chocada. Armados com facas, os cinco homens amarraram e mataram Necati e dois outros cristãos - Tilmann Geske, um cidadão alemão de 46 anos, e Ugur Yuksel, 32 anos, outro convertido do islã.

Toda vez que fecho os olhos, posso vê-lo sentado no escritório, disse Susanna Geske, a esposa de Tilmann. O casal se mudou para Malatya em 1997. Eles sabiam que não seria fácil viver ali, em uma cidade que vive sob a opressão de nacionalistas islâmicos, onde os sentimentos anticristãos são muito fortes.

Ugur Yuksel vivenciou essa tensão em 2005, quando moradores locais protestaram na frente da mesma editora, alegando que a atividade de publicação e distribuição de livros cristãos constituía proselitismo contra muçulmanos e por isso a livraria e editora deveria ser fechada.

Entrega de vida

A Bíblia nos diz para aceitarmos Jesus em nossas vidas, por isso não levamos os custos em conta, disse Shemsa. O que aconteceu depois ainda está sendo investigado. As autoridades nos informaram que eles foram torturados durante duas horas, disse a viúva.

Susanna contou que o corpo do marido apresentava muitas, muitas escoriações. Eles devem ter batido muito nele, disse ela. Segundo testemunhas, durante a tortura, os agressores forçaram os homens a recitar orações islâmicas e tentaram fazê-los renunciar a sua fé.

A polícia foi até o local depois de receber telefonemas da vizinhança denunciando uma ação suspeita no edifício em que ficava o escritório da editora Zirve, em Malatya.

Fontes locais informaram à CBN News que assim que os agressores ouviram a aproximação da polícia, decidiram matar de vez os três cristãos. Corte a garganta deles!, disse um dos agressores. Quando a polícia chegou, encontrou os três homens com as mãos e pés atados nas cadeiras. Tilmann e Necati estavam mortos, com as gargantas abertas. Ugur foi o único a ser encontrado com vida, mas morreu horas depois de ter sido levado ao hospital.

Os suspeitos do crime, presos pela polícia, disseram aos investigadores que mataram os três cristãos para defender o islã. Todos os cinco levaram consigo cartas que diziam: Que isso sirva de lição aos inimigos de nossa religião. Fizemos isso pelo nosso país.

Susanna, ao ser indagada se considerava seu marido um mártir de Cristo, disse: Sim, acho. Ele morreu pelo cristianismo e posso dizer aos meus filhos que ele morreu por Jesus.

"Meu pai está se divertindo no céu"

Eu sinto muito a falta dele, mas sei que meu pai está no céu se divertindo com Tilmann e Ugur!, disse o filho de Necati, que tem sete anos de idade.

Este foi o terceiro ataque contra os cristãos da Turquia. No último ano um padre católico e um importante jornalista armeno foram assassinados.


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