Policiais não cumprem acordo e ex-muçulmanos sofrem ataques

Cristãos da vila de Durbachari, em Bangladesh, sofreram mais agressões e ameaças de morte assim que os policiais designados para protegê-los por três meses se retiraram após uma semana.

Além disso, um jornal nacional publicou em 15 de julho um artigo sobre esses cristãos do distrito de Nilphamari, citando explicitamente, e então criticando, o pastor Alberto Adhikari como o principal defensor dos cristãos da área.

O artigo mencionou os líderes dos três principais grupos muçulmanos, que pediram o fim da atividade das pessoas, igrejas e organizações não-governamentais cristãs em todo Bangladesh.

A violência em Nilphamari começou depois que 41 ex-muçulmanos foram batizados no rio em 12 de junho. Duas semanas depois, em 26 de junho, muçulmanos da vila agrediram de forma severa os cristãos convertidos em Durbachari . Em 27 de junho, eles deram 24 horas para os cristãos deixarem a vila, senão, eles seriam mais agredidos e suas casas seriam destruídas.

Uma intervenção de policiais locais trouxe paz temporária. A polícia concordou em disponibilizar alguns de seus homens na vila por três meses (leia mais detalhes).

Amarrado e agredido

Quando o pastor Alberto visitou Durbachari em 11 de julho, ele esperava que a situação tivesse melhorado. No entanto, ele logo ficou sabendo que a força policial especial, designada para a vila, havia se retirado depois de uma semana.

Ele também soube que os muçulmanos da vila raptaram um vendedor de frutas cristão, conhecido apenas como Hatem, na noite de 10 de julho. Hatem foi agredido e indagado sobre sua conversão ao cristianismo antes de ser amarrado e deixado em um depósito de comida durante a noite.

Quanto os amigos de Hatem telefonaram para o chefe da vila na manhã do dia 11 de julho pedindo ajuda, ele interveio e Hatem foi libertado por volta das 11 horas.

Alberto visitou Hatem mais tarde e o encontrou de cama, coberto com hematomas.

Os cristãos também estão sendo ignorados na comunidade. Logo após o batismo, os vizinhos os proibiram de usar a fonte da vila. Eles não tiveram escolha a não ser buscar água em um rio a 600 metros de distância. Mas a água contaminada do rio deixou todos com problemas estomacais.

Uma ONG cristã deu fundos suficientes para Alberto comprar bombas d’água para os cristãos. Quando as bombas foram compradas, nenhum dos muçulmanos da vila se dispôs a ajudar na instalação, forçando Alberto a contratar trabalhadores de uma vila vizinha.

Mais ataques e ameaças de morte

Em 12 de julho, o pastor Alberto e um cristão da vila chamado Sanjoy visitaram várias casas de crentes da região, para saber da situação e encorajá-los.

À noite, enquanto Sanjoy se preparava para voltar para casa, os cristãos da vila telefonaram e avisaram para ele não voltar por seu caminho de costume, porque os muçulmanos estavam à espera para agredi-lo. Prevenido, Sanjoy foi por um caminho mais longo e chegou em casa duas horas depois.

No dia 15 de julho, Alberto foi avisado de que nove pessoas armadas haviam ido à casa de outro cristão em Durbachari, fazendo ameaças de morte. Barek, o cristão, se abrigou em outro lugar e não foi ferido.

No mesmo dia, o jornal bengalês Inkelab, publicou um artigo reclamando o fim da atividade de cristãos em Bangladesh, em resposta aos acontecimentos de Nilphamari.

O artigo mencionous os líderes de três conhecidos grupos islâmicos e um deles, Mawlana Eusuf Ashraf, do Bangladesh Khelafat Majlish, acusou ONGs cristãs de converterem “os pobres de Nilphamari como serviço”.

Muhammad Abdur Rakib, do Partido Islâmico Nejame, acusou os cristãos de converterem 41 pessoas em Nilphamari ao darem “ajuda financeira, empregos e outras formas de tentação”. Ele pediu ao governo para banir toda atividade cristã que possa gerar conversões.

O artigo também citou um representante da Frente de Inteligência Islâmica, que afirmou que “norte-americanos” tinham “um plano de longo-prazo para destruir o islamismo através da conversão de pobres por meio de aliciamento financeiro”. O representante disse: “Resistir a tais atividades é o dever de nossa fé”.

Essas afirmações ignoram completamente as declarações dos cristãos de Durbachari de que eles se converteram ao cristianismo por escolha e não por indução material.

À luz dos últimos acontecimentos, observadores dizem que uma intervenção imediata e contínua se faz necessária – com as forças de segurança local e nacional reforçando o compromisso do Estado com a liberdade religiosa – para evitar danos futuros à minoria cristã em Nilphamari e em todo Bangladesh.