Ser ou não ser um país islâmico, eis a questão

| 05/08/2007 - 00:00


Um alto oficial do gabinete malaio disse ontem que a Malásia não é um país islâmico, e sim uma nação multiracial e multireligiosa. "Eu penso que meus colegas no governo me perdoarão por dizer que eu não concordo em sermos um país islâmico", disse Bernard Dompok, um cristão que trabalha no governo e cuja citação foi registrada pelo “Malaysiakini”, um jornal on-line.

"Para todas as intenções e propósitos, penso eu que a Malásia não é um estado islâmico", disse Bernard, em uma fala improvisada em um fórum para comemorar o 50º aniversário da Independência da Malásia, celebrada no dia 31 de agosto.

Os comentários de Bernard Dompok aconteceram duas semanas depois de o primeiro-ministro Najib Abdul Razak declarar que o "islã é a religião oficial da Malásia, que é um estado islâmico”.

"Nós nunca fomos seculares porque ser secular, segundo a definição Ocidental, implica na separação dos princípios islâmicos do modo de governarmos o país", disse Najib.

As observações dele foram dirigidas a uma considerável população não-muçulmana do país, a maioria de etnias chinesas e indianas que compõem quase 40% dos 26 milhões de habitantes da Malásia, onde predominam as religiões budista, hindu e cristã.

De acordo com a Constituição, o islã é realmente a religião oficial, mas a Constituição também garante liberdade de religião a outros.

Porém, tem havido um ressentimento crescente entre não-muçulmanos a respeito do que eles julgam ser de propriedade deles, uma vez que o islã vem sendo reafirmado em todos os aspectos das instituições-chave da Malásia, incluindo escolas e tribunais.

Casos polêmicos

Em casos legais que envolvem os muçulmanos e os cônjuges não-muçulmanos que estiveram violentamente separados, os tribunais civis seculares parecem ter se curvado ao sistema judiciário islâmico, rejeitando audiências sobre esses assuntos e enviando-as para o tribunal islâmico, onde são julgados pela sharia.

E porque o tribunal da sharia não tem nenhuma jurisdição sobre não-muçulmanos, esses casos terminaram freqüentemente no limbo. "Em alguns casos, o Ministério da Justiça parece jogar pingue-pongue... não é nem para a sharia nem para os tribunais civis", disse Bernard Dompok.

Bernard Dombor é de longe a única voz no governo a denunciar publicamente a declaração de estado islâmico feita por Najib. A questão esquentou o debate, e com a proximidade das eleições gerais, a Frente Nacional do Governo colocou uma mordaça nas mídias populares para evitar reportagens sobre o assunto.


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