Pastor protestante desaparecido há 11 dias

Cristãos da Eritréia confirmaram ontem que o pastor protestante Leule Gebreab, da Igreja Apostólica de Asmara, está desaparecido há 11 dias. Uma semana depois de não ter voltado para casa, a polícia local prendeu 10 membros da Igreja do Evangelho Pleno durante um culto matutino de domingo.

O pastor Leule  não volta para a casa desde o domingo, 12 de agosto, e nenhum dos parentes ou qualquer membro de sua congregação tem notícias sobre o paradeiro dele.

“A esposa dele está muito aflita com o desaparecimento”, contou uma fonte local ao Compass. 

Leule Gebreab, 35 anos, é casado e tem um filho de oito anos e uma menina de colo.

O governo da Eritréia criminalizou a atividade das igrejas protestantes independentes em maio de 2002, fechando os locais de culto e proibindo até mesmo reuniões em casas particulares.

Mais de 2000 cristãos do país, inclusive dezenas de pastores e padres, permanecem presos. Muitos foram sujeitos à tortura severa por suas convicções religiosas nas prisões, delegacias de polícia e acampamentos militares.

Não há contra nenhum deles registros de acusações ou mesmo a autorização para a detenção deles.

Ao longo do último ano, três cristãos morreram por conta dos maus tratos físicos enquanto estavam presos.

Católicos e protestantes são perseguidos

No último dia 16 de agosto, as autoridades do país ordenaram que todas as escolas, igrejas, clínicas, orfanatos e os centros de treinamento vocacionais de mulheres pertencentes à Igreja Católica fossem controlados pelo Ministério do Trabalho e Bem-Estar Social.
De acordo com um relato da Portas Abertas Internacional, quatro bispos católicos enviaram uma carta de protesto ao governo no dia 17 de agosto. As autoridades não deram resposta.

A igreja da Fé em Cristo recebeu ordens semelhantes para renunciar ao controle e a posse de todas as suas instituições de ajuda sociais.

As novas demandas se baseiam em um decreto de 1995 que determina que as iniciativas de bem-estar social obtenham permissão específica do governo para funcionarem.

Apesar de proibir as igrejas protestantes independentes, a Igreja Católica é oficialmente reconhecida como um das quatro religiões históricas da nação. As outras três sancionadas pelo governo da Eritréia são as igrejas ortodoxa, luterana e o islã.

Resistência

Mas resistência contínua da hierarquia católica local contra as demandas de governo está fazendo com que o regime não a veja mais com bons olhos.

Desde o fim de 2003, os bispos católicos se recusam a enviar relatórios da atividades pastorais para o Departamento de Negócios Religiosos, insistindo que eles só se reportam ao Vaticano.

Eles também se opuseram vigorosamente à demanda do governo, em 2005, exigindo que todos os padres deles e seminaristas com menos de 40 anos prestassem o serviço militar. A igreja também desafiou uma ordem de governo subseqüente para reduzir o número de padres católicos.

Todos os cidadãos do país têm que executar o serviço nacional durante 18 meses, embora esse prazo possa ser prolongado arbitrariamente, sem a opção de voltar à vida civil.