Cristãos são condenados por pregação da Palavra de Deus

| 07/09/2007 - 00:00


Cinco cristãos foram condenados no mês de junho, com base numa lei religiosa controversa, por pregarem o evangelho. Os detalhes do julgamento, na cidade de Tizi Ouzo, só foram divulgados no último dia 4 de setembro.

Segundo o maior jornal da Argélia, El-Khabar, as sentenças variaram entre um ano sem fiança e um ano com uma fiança de cinco mil dinares algerianos (R$ 140). Não foram revelados os nomes dos cristãos condenados.

Uma pessoa que acompanha o caso, mas que pediu anonimato, disse que a polícia agrediu os cristãos. "Um policial perguntou a um dos acusados sobre o cristianismo, pediu uma Bíblia e os prendeu", disse a fonte.

Campanha anticristã

A notícia das detenções veio depois de o Ministério para Assuntos Religiosos da Argélia lançar uma campanha contra a conversão ao cristianismo, enquanto convocava xeiques do Oriente Médio, autoridades e organizações não-governamentais para tentar influenciar esses “cristãos que se convertem com uma visão positiva".

No ano passado, o parlamento da Argélia adotou uma lei que prevê dura pena de prisão para “quem tentar convencer um muçulmano a se converter a outra religião”.

Na ocasião, havia comentários de que essas leis nos países do norte africano eram uma resposta aos evangelistas cristãos e missionários que oravam  e pregavam em várias partes da região.

A lei pode ser especialmente aplicada a “qualquer um que tentar ou forçar a conversão de um muçulmano a outra religião”.

Editoras cristãs também são alvos da lei, com as mesmas penalidades aplicadas a qualquer "pessoa, fabricante ou loja que circule publicações de audiovisual (mídia) ou outras ferramentas de comunicação que contribuam com a desestabilização do islã".

A lei também proíbe a prática de qualquer religião "menos o islã", fora de "edifícios alocados sem licenciamento”.

O Ministério para Assuntos Religiosos sugeriu que a lei "proíba as atividades religiosas", de acordo com a agência de notícias BosNewsLife.

Os cristãos e judeus constituem até 1% da Argélia, que é majoritariamente sunita e formada por 33 milhões de pessoas, segundo estimativas da agência de inteligência norte-americana, a CIA.

Contexto político e histórico

Embora a Argélia esteja debaixo do governo do presidente Abdelaziz Bouteflika - que ganhou algum elogio do Ocidente por apoiar  "a guerra contra o terror conduzida pelos EUA” - a prisão de cristãos traz grandes preocupações entre defensores de direitos humanos e grupos como a Anistia Internacional.

Existem preocupações contínuas com relação às tensões na Argélia após 1990, numa luta que envolve o exército e militantes islâmicos.

Em 1992, as eleições gerais vencidas por um partido islâmico foram anuladas, levando a uma guerra civil sangrenta em que mais de 150 mil pessoas foram mortas.

Desde 1999, há uma trégua entre as partes, mas a tensão permanece.


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