Fim do processo contra o pastor Ademir Kreutzfeld

A juíza Viviana Gazaniga Maia, da Comarca de Santo Amaro da Imperatriz (SC), determinou o arquivamento do processo que o editor do jornal “O Tropeiro”, Júlio César Gaffree Orviedo, da cidade catarinense de Rancho Queimado, movia contra o pastor evangélico-luterano Ademir Kreutzfeld, acusado de prática homofóbica. O editor renunciou ao direito de queixa-crime. 

Tudo começou quando o pastor telefonou para comerciantes de Angelina, localidade vizinha a Rancho Queimado, a 60 km de Florianópolis, alertando-os a respeito da linha editorial de “O Tropeiro”, que, segundo Ademir Kreutzfeld, “divulgava a suposta normalidade da prática do homossexualismo”.

Comerciantes de Angelina deixaram de anunciar no jornal, o que levou o editor da publicação a registrar queixa na delegacia contra o pastor.

Em entrevista à ALC, o pastor Ademir Kreutzfeld disse que, mesmo com todos os problemas que teve, repetiria o alerta aos comerciantes de Angelina, se preciso.

Politicamente correto

“É isso que Deus e a comunidade local esperam de seus pastores. Além disso, não estou preocupado em ser ‘politicamente correto’, porque antes importa agradar a Deus do que a homens”.

O pastor sustenta que sua posição está baseada na Palavra de Deus. “Eu, de mim mesmo, não posso condenar o homossexualismo. É o próprio Deus que, repetidas vezes, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, condena enfaticamente a prática do homossexualismo”, disse.

Apoio em favor da liberdade de expressão

O pastor sinodal Sigolf Greuel, do Sínodo Centro Sul-Catarinense, apoiou o colega de Rancho Queimado, pediu a solidariedade da igreja e se propôs a dialogar com o editor de “O Tropeiro”. Greuel afirmou, em carta emitida pelo Sínodo, que Ademir Kreutzfeld estava sendo acusado de um crime que não cometeu.

“Ele não atacou pessoas, mas no uso de seu direito constitucional de manifestar livremente o seu pensamento e no exercício de sua liberdade de crença e de consciência, ele não se posicionou contra uma pessoa, mas expressou a visão bíblica sobre a homossexualidade”, expressou.

A Igreja, emendou, “não pode calar quando essas liberdades individuais fundamentais são atacadas e estão ameaçadas”.

Kreutzfeld conhece o documento de estudo emitido pela Federação Luterana Mundial (FLM) sobre matrimônio, família e sexualidade humana. O documento incentiva as igrejas-membro do organismo ecumênico internacional a continarem o diálogo e a consulta mútua sobre o tema por um período de cinco anos.

Polêmica

Há consenso nos textos emitidos por igrejas-membro de que a sexualidade humana está reservada a duas pessoas com uma relação de compromisso exclusiva.

"Contudo, a questão fundamental em que as nossas igrejas podem discordar consiste na pergunta se os propósitos ou objetivos da sexualidade humana podem ser cumpridos também em relações entre pessoas do mesmo sexo ou de pessoas heterossexuais não-casadas", aponta a comissão da FLM que trabalhou o documento de estudo.

Para incentivar o diálogo entre as igrejas-membro, a comissão pede que elas levem em consideração os numerosos resultados científicos relevantes para compreender a atividade humana em geral e, mais especificamente, a homossexualidade. 

O argumento é o de que a sexualidade e orientação sexual talvez não se resumam a uma escolha pessoal ou moral, mas possa estar relacionada a condicionamentos anteriores a tal opção.

O pastor Ademir Kreutzfeld lamenta, no entanto, que a FLM “não teve coragem de expor de modo claro neste documento o que a Palavra de Deus diz sobre homossexualismo, ou seja, que essa prática é pecado e antinatural”.

Sem apresentar os motivos, ele acha que a IECLB não vai discutir o tema nas comunidades, “pelo menos, não por enquanto”.