Ativista denuncia perseguição a dissidentes e cristãos na China

O ativista pró-direitos humanos, Hu Jia, disse à agência Efe que muitos dissidentes chineses foram deportados, torturados ou desapareceram nos últimos dias, na pior campanha de perseguição e derrubada da dissidência em cinco anos na China.

Hu Jia, indicado ao lado de sua mulher para o prêmio Sakharov do Parlamento Europeu, escreveu várias mensagens à imprensa nas quais denunciou o desaparecimento de muitos ativistas.

"Sempre houve dureza na véspera de assembléias, mas desta vez é pior", disse Hu Jia em referência ao Congresso do Partido Comunista Chinês (PCCh) que terminou na semana passada.

Além disso, ele afirmou que as autoridades intensificaram a perseguição com vistas ao ano que vem, quando o mundo estará de olho nos Jogos Olímpicos de Beijing, a fim de que muitas vozes de dissidentes estejam caladas.

"Estão fazendo 80% do trabalho agora para ficarem só com 20% no ano que vem", afirmou Hu, em declarações citadas pelo jornal "South China Morning Post".

Desapareceram recentemente os advogados Gao Zhiseng (leia mais) e Zheng Dajing, o ex-deputado Yao Lifa, o ativista pró-democracia Zhang Wenhe, entre outros.

Além disso, foram detidos - e em alguns casos torturados - o ativista cristão Hua Huiqi (leia mais), o advogado dele Li Heping, a ativista pró-direitos humanos Huang Yan, o sacerdote Liu Fenggang, o escritor Lu Gengsong e o ativista Yang Chunlin.

Hu Jia e sua mulher estão em prisão domiciliar há meses e a vigilância à sua casa aumentou desde o dia 7 de setembro, com quatro novos policiais, além dos 16 anteriores.