Mohammed Hegazy será julgado no dia 15

| 03/01/2008 - 00:00


O egípcio convertido do islã para o cristianismo, Mohammed Ahmed Hegazy, não pode andar normalmente em público. Ameaças de morte o forçaram a se esconder depois que ele deu início a uma disputa legal sem precedentes para ter a identidade de cristão reconhecida em sua carteira nacional de identidade.

Como a esposa de Hegazy está grávida, ele deseja a mudança em seu registro para que seu filho, que nascerá em janeiro, não seja considerado muçulmano e tenha de viver segundo as leis islâmicas. "O bebê foi o motivo para eu ter aberto o caso", disse Hegazy ( leia mais). 

Mas o rapaz de 24 anos pertence a um novo grupo de cristãos egípcios que não vê nenhuma contradição entre a fé e o ativismo político.

"A Bíblia diz para amar seu inimigo e seu vizinho como você mesmo", explica Hegazy. "Trabalhar politicamente para prover comida aos pobres ou pela liberdade do oprimido é uma forma de cumprir esta ordenança."

Esta convicção motivou em parte o caso de Hegazy levado ao tribunal, mas o mesmo desejo de entrar em ação também o frustrou por ter sido obrigado a passar os últimos três meses inativo, se escondendo.

O cristão reconhece que está achando a nova vida dele extremamente difícil. Ele disse que ficou impossível manter um emprego porque não pode deixar o apartamento regularmente sob o risco de ser atacado por extremistas islâmicos ou pela polícia de segurança do Estado.

Ameaças

Em uma ocasião rara em que Hegazy se arriscou, um cristão reconheceu o rosto dele de uma fotografia de jornal. "Se você é quem eu penso que é, então Deus está ajudando você", disse o cristão a Hegazy.

O novo advogado de Hegazy, Gamal Eid, afirma: "Em um país como o Egito, os medos dele procedem."

O Estado egípcio não reconhece as conversões do islã e se recusa a permitir que os cidadãos mudem seus documentos de filiação.

Repercussão inesperada

Quando o primeiro advogado dele, Mamdouh Nakhla, chamou Hegazy para dizer que ele tinha organizado uma entrevista importante com a agência France Presse, o cristão disse que foi de boa vontade. "Eles me falaram que tirariam fotos, enviariam para fora do país e que ninguém no Egito saberia", disse Hegazy.

No entanto, a publicação da entrevista ganhou repercussão internacional e entre a mídia egípcia. Sua antiga casa foi alvo de vandalismo e ele recebeu diversas ameaças de morte.

O caso recebeu atenção pública nas primeiras duas audiências, no dia 2 de outubro e no dia 13 de novembro. A próxima audiência será no dia 15 de janeiro. Interceda.


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