Investigação sugere que ataques em Orissa foram premeditados

| 14/01/2008 - 00:00


Fatos novos indicam que a grande violência anticristã na Índia, que deixou milhares de desabrigados e destruiu 90 igrejas no distrito de Kandhamal, no Estado de Orissa, foi planejado com antecedência. 

Três meses antes da série de ataques que começou na véspera do Natal,  no distrito montanhoso de Kandhamal, um jornal local havia alertado que as tensões estavam aumentando entre as comunidades cristã e não-cristã tribais.

Prevendo os ataques durante a semana do Natal, cristãos locais tinham em 22 de dezembro alertado as autoridades distritais para fornecerem proteção policial. Seus pedidos não chamaram atenção.

Ataques simultâneos

“Sem dúvida a violência foi premeditada, planejada e o trabalho de um grupo disciplinado para garantir acontecimentos simultâneos em todo o distrito com diferença de horas para o primeiro evento, e para sustentar isso por cinco dias mesmo com a presença de altos oficiais da polícia na região”, disse o líder cristão e ativista pelos direitos humanos Dr. John Dayal, que retornou da visita de apuração dos fatos em Kandhamal.

“A maior tragédia humana e violência contra os cristãos estava esperando para acontecer”, contou Dayal ao Compass. “Foi parte de uma grande conspiração, e os culpados estão identificados. A tragédia se repetirá de novo a menos que medidas urgentes sejam tomadas” (leia mais).

Começando com o ataque no dia 24 de dezembro na vila de Brahmani, a violência continuou até quarta-feira, dia 2 de janeiro (leia mais).

Saldo da destruição

Líderes cristãos disseram que aproximadamente nove pessoas foram mortas, perto de 90 igrejas foram queimadas, e 600 casas foram incendiadas ou sofreram vandalismo, e 5 mil pessoas foram afetadas.

“Esta foi a primeira vez que um número tão grande de cristãos das vilas foi desalojado e teve que ficar em campos de refugiados depois que suas casas foram queimadas”, disse Dayal, secretário- geral do Conselho Geral dos Cristãos da Índia (AICC, sigla em inglês).

“Esta é a primeira vez na história desde a Independência (em 1947) que aproximadamente 3 mil homens, mulheres e crianças cristãos foram forçados a viver em dois campos de refugiados, comendo arroz impróprio para o consumo humano por causa da quantidade de areia e pedra, e vivendo no frio, sem banheiros, sem assistência médica e roupas quentes”.

Tensão no ar

Em 22 de setembro, o jornal "The Hindu" destacou: “Uma tensão inconstante está crescendo entre o povo tribal kui e os pana harijans (dalits) no distrito de Kandhamal”.

Estima-se que 16% da população do distrito de Kandhamal sejam cristãos. Mais de 60% dos cristãos pertencem à comunidade pana, classificados como dalits no sistema de castas da Índia.

Eles pedem o reconhecimento como uma comunidade tribal, alegando que eles também falam o idioma local dos kui – um pedido ao qual o grupo tribal kui se opõe, pois isso aumentaria o número de candidatos aos empregos reservados.

De acordo com a Constituição da Índia, apenas dalits não-hindus podem se beneficiar de empregos no governo e acesso a instituições educacionais. Assim, depois da conversão, um hindu dalit perde seus privilégios como cidadão.

O jornal citou um líder do Comitê de Coordenação kui, Samaj, dizendo que se o governo aceitasse as comunidades pana como povos tribais, “isto levaria a acontecimentos violentos entre as duas comunidades”.

De acordo com o jornal quinzenal "The Frontline", na edição de 18 de janeiro, os kui tribais convocaram uma greve de 36 horas (fechamento completo) começando no dia 24 de dezembro para se opor ao pedido dos dalits (pana).

Pedido de proteção

Em 22 de dezembro, representantes de uma organização cristã local, a Sociedade do Bem-Estar Social dos Povos, se encontraram com o líder administrativo e o superintendente da polícia local e os informou da possível tensão devido à convocação de greve pela comunidade kui, conforme também relatou o jornal “The Indian Express”, em 28 de dezembro.

A população de 36 milhões de pessoas de Orissa inclui menos de 900 mil são cristãos.


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