Igrejas são demolidas em campos de refugiados

| 09/01/2004 - 00:00


Mais de dez igrejas cristãs e um centro de treinamento vocacional administrado pela igreja no campo Wad el Bashier em Omdurman ocidental, no Sudão, foram demolidos pelas autoridades em um exercício de replanejamento que afeta milhares de pessoas.

De acordo com fontes da capital sudanesa, Cartum, os centros provisórios de adoração construídos pelos cristãos que fugiram de décadas de guerra civil ou catástrofes naturais foram demolidos, muitos deles nos dois últimos meses. Alguns dos centros são filiados à Igreja Anglicana, às igrejas do Interior Africano e Católica Romana, bem como a Igreja de Cristo do Sudão, disseram elas.

Essas construções têm valor para os cristãos desalojados que as fizeram local de culto, disse uma fonte. Os que as estão destruindo estão mexendo indevidamente com a fé daqueles crentes, porque a primeira coisa que eles querem fazer é levantar a casa do Senhor.

Como parte da política de planejamento urbano que data dos anos 1990, as áreas residenciais pobres dentro e ao redor do campo, incluindo alguns campos clandestinos, estão sendo demolidos e os moradores estão recebendo aos poucos lotes de terra. Mas em muitos casos, eles ficam sem casa durante vários meses.

Fontes informaram que as autoridades fizeram a demolição de igrejas, escolas, centros de saúde e dependências de treinamento construídas por organizações não-governamentais nos meses chuvosos e frios e, particularmente, logo antes da época do Natal. Algumas mesquitas também foram destruídas, bem como banheiros, lojas e padarias. Um relatório recente da ONU sobre as condições do campo disse que não se espera que sejam demolidas construções de tijolo e concreto, como a principal Igreja Católica da área.

Cerca de 15.300 casas foram afetadas pela demolição nas áreas em volta do campo, lugar provisório para cerca de 50.000 sudaneses. É entregue um pedaço de terra isolado para as pessoas, sem suprimento de água, onde eles constróem seus próprios abrigos e lutam para encontrar cuidados médicos, disseram as fontes.

O relatório da ONU afirma que quase 7.500 abrigos, casas e latrinas serão afetadas e que o atual plano é demolir a área toda antes de designar novos lotes, em vez de fazer a demolição por etapa como foi o caso no passado.

Devido a conflitos e catástrofes naturais, o Sudão tem agora a maior população desalojada da África, atualmente estimada em mais de quatro milhões de pessoas. A maior parte das pessoas se estabeleceu em áreas urbanas de Cartum, Omdurman e Bahri, e em quatro campos designados pelo governo ao redor de Cartum e Omdurman.

A maioria dos desalojados são do sul do Sudão ou das montanhas Núbias e incluem grupos étnicos como os baggara, bari, dinka, fur, nuer, shilluk, zagawa e zandi. O relatório da ONU observa que a média por domicílio é de sete pessoas e mais de 90% vivem abaixo da linha de pobreza.

Em um outro evento, o evangelista americano Fraklin Graham, presidente da organização de ajuda internacional, a Bolsa Samaritana, teve um encontro com o presidente Omar el-Bashir no dia 8 de dezembro quando o presidente convidou Graham para a capital.

Os problemas da liberdade religiosa foram ligados à guerra, disse El-Bashir. Assim que a guerra acabar, a pressão contra os cristãos acabará. Temos de nos certificar de que a liberdade de religião dos cristãos não seja menor do que a liberdade do islamismo. Vamos assumir a responsabilidade de construir as igrejas neste país, acrescentou ele. Nós damos as boas vindas a vocês que vieram pela porta dos fundos durante anos , para vir pela porta da frente agora.

Graham, um crítico declarado o governo sudanês quanto à liberdade religiosa, estava em sua terceira viagem ao Sudão este ano, mas em sua primeira a Cartum.

Eu espero que quando a paz vier à sua nação, que venha a igualdade e que os cristãos consigam prestar culto da mesma forma que os muçulmanos, disse Graham ao seu anfitrião: Muçulmanos e cristãos podem viver pacificamente e eu acredito que isso agrada a Deus.

Durante sua viagem ao Sudão, Graham mandou 60 mil caixas de presentes de Natal às crianças das áreas em conflito do Nilo azul, montanhas Núbias e sul do Sudão.


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