Extremistas tentam evitar batismo de senhora de 70 anos

Um grupo de desconhecidos tentou matar uma mulher de 70 anos no último dia 7 de janeiro depois de saber que ela seria batizada em uma cerimônia cristã no próximo mês. Rahima Beoa que estava planejando ser batizada no dia 13 de fevereiro no distrito de Rangpur, de maioria muçulmana, sofreu queimaduras em 70% do corpo, mas sobreviveu.

“Foi uma conspiração diabólica para que ela deixasse de ser cristã", disse Khaled Mintu, supervisor regional do distrito de Rangpur da denominação evangélica Isha-E-Jamat.

Rahima Beoa é a sogra do ex-muçulmano Ashraful Islam, que junto com a esposa se tornou cristão há uns dois anos. Parentes próximos e vizinhos ficaram bravos com a conversão do casal.

Ashraful Islam, de 40 anos, mora ena aldeia de Cinatuly, com os três filhos e a sogra.

“Geralmente as pessoas são batizadas na cidade mais importante, Dhaka, de forma que ninguém saiba nada sobre os novos convertidos", disse o supervisor Mintu.

"Beoa é tão velhinha que não seria muito fácil trazê-la para Dhaka para o batismo. Caso contrário ela já teria sido batizada há muito tempo." Rahima Beoa e outros cristãos seriam batizados em fevereiro, mas a informação se espalhou pela aldeia inteira.

O atentado

Enquanto a sogra do ex-muçulmano e o filho de 9 anos estavam dormindo em casa, os agressores atearam fogo na casa inteira de madeira.

“O menino conseguiu escapar do fogo", disse Mintu. "Mas a mulher anciã não conseguiu e teve 70% do corpo queimado junto com os demais materiais da casa."

Nenhum parente ou vizinho veio ajudar a apagar o fogo. Um homem que se diz médico tratou as queimaduras da anciã em outra casa porque a família não pode dispor tratamento em um hospital por ser cristã.

“Nós não arquivamos nenhuma queixa na delegacia de polícia porque nós não conseguimos identificar ninguém”, disse Mintu.

Muçulmanos X cristãos

Em 2006, mais de 7000 muçulmanos realizaram atos de vandalismo em casas de cristãos da região.

“Eles já quiseram nos despejar porque somos cristãos", contou  Mintu. "Com a ajuda dos funcionários do governo locais e da polícia, conseguimos morar nesta terra contra a oposição forte dos muçulmanos."

De acordo com o supervisor, há 50 famílias cristãs na região, mas a maioria recebe educação muçulmana.