Marcado para hoje o julgamento de líder vietnamita da igreja

| 13/01/2004 - 00:00


Está marcado para começar hoje (13/01) o julgamento de um líder de uma igreja doméstica vietnamita detido em agosto por desacatar uma autoridade no exercício de sua função, fomos informados.

O pastor Bui Van Ba, secretário geral da Igreja Doméstica Evangelho Integral, será julgado perante a Corte do Povo do Distrito 11 na cidade de Ho Chi Minh. Ba está sob prisão domiciliar desde que a polícia deu uma batida em uma reunião de oração em sua casa no dia 18 de agosto de 2003.

Naquela data, cerca de 25 cristãos estavam presentes a uma reunião de oração no segundo andar da casa de Ba quando o oficial da polícia de segurança chamado Tran Van Nhe entrou sem um mandado judicial e exigiu vasculhar a casa. O pastor Ba não estava em casa no momento e sua esposa, May, tentou impedir o policial de subir as escadas. O oficial a empurrou para o lado e subiu as escadas ao mesmo tempo que chamava reforço pelo telefone celular. Outro pastor, Nguyen Nhu Hanh, tirou algumas fotos.

Logo chegaram mais policiais. Eles agarraram o pastor Hanh, bateram sua cabeça várias vezes contra uma parede de concreto e destruíram a câmera que tomaram da mão dele. A polícia começou então a dar tapas e socos nos outros cristãos, fomos informados. A esposa do pastor Ba, que fora empurrada com violência desmaiou em conseqüência de fortes dores no peito.

O pastor Ba chegou bem na hora da discussão. Fontes informaram que ele tentou argumentar com a polícia, mas quando percebeu a grave condição de sua esposa, sua primeira preocupação foi levá-la a um hospital. Os policiais se recusaram permitir que ela fosse levada.

Quando as pessoas reunidas declararam apoio ao pastor Ba em seu esforço de levar a esposa a um hospital, os policiais da segurança atacaram o pastor Ba, espancando-o violentamente e o algemaram. A polícia reprimiu os filhos do pastor e da Sra. Ba, apertando as mãos contra a boca das crianças que gritavam à vista do espancamento dos pais. A polícia levou então o pastor Ba à delegacia, junto com o pastor Hanh e outras sete pessoas.

O pastor Vo Van Lac tentou então convencer os policiais a deixá-lo levar a esposa do pastor Ba ao hospital. Eles tentaram impedi-lo sob a mira das armas. Quando ele disse aos policiais que não tinha medo e a levaria para um pronto-socorro de qualquer forma, eles trancaram a porta com um cadeado deles mesmos. O pastor Lac insistiu e depois de muita dificuldade conseguiu levá-la ao pronto-socorro do hospital.

Na delegacia de polícia, o pastor Ba foi acorrentado a um poste enquanto um policial de grande estatura em trajes civis aproximou-se e o esmurrou três vezes na cabeça. Vários oficiais de polícia, incluindo o chefe local, concordaram ameaçadoramente, montando claramente uma falsa história para o relatório deles.

Em um relatório publicado três meses depois do incidente, a polícia disse: Quando a Sra. May desmaiou, ela foi levada imediatamente a um pronto-socorro pelos familiares.

O pastor Ba foi em seguida levado a outra sala e interrogado durante uma hora por quatro oficiais. Foi-lhe dito que ele ficaria detido durante os três dias de investigação. Os policiais o despiram e o jogaram numa cela sem cama, cobertores ou rede contra mosquito. Os outros sete cristãos foram retidos e interrogados durante 12 horas antes de serem acusados de violação administrativa e liberados.

Os pastores Ba e Hanh foram soltos da prisão no dia 19 de agosto depois de 36 horas; o pastor Hanh com uma acusação administrativa e o pastor Ba colocado sob prisão domiciliar. Os cristãos vietnamitas que assessoram o pastor Ba usaram a lei vietnamita para montar um processo legal afirmando que foram os direitos do pastor Ba, de sua família e dos cristãos na reunião de oração que foram violados. Mas o sistema legal do Vietnã não permitirá que os conselheiros de Ba o defendam.

Para as igrejas domésticas do Vietnã, este é o tratamento padrão, disse a Portas Abertas um experiente observador do Vietnã, apesar da garantia do governo da liberdade religiosa.

Em situações semelhantes no passado, as embaixadas estrangeiras e serviços de notícias pediram para mandar observadores a julgamentos como o do pastor Ba programado para hoje, mas têm tido o acesso negado.


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