Polícia prende dois suspeitos do assassinato do pastor em Chiapas, Méx

| 28/11/2003 - 00:00


A polícia mexicana prendeu dois homens suspeitos de participarem no dia 24 de outubro da morte de Mariano Mendez Diaz, pastor da igreja evangélica indígena tzotzil.

No dia 28 de outubro, a polícia deu uma batida num vilarejo no distrito de San Juan Chamula, Chiapas e deteve Manuel Hernandez Gomez e Manuel Gomez Perez, de acordo com reportagens da capital do distrito de San Cristobal de las Casas.

O Rev. Mendez, 38, morreu na tarde de 24 de outubro quando se dirigia para uma reunião de oração no vilarejo de Botatulán. De acordo com testemunhas, homens fortemente armados interceptaram o automóvel de Mendez na estrada. O pastor saiu do carro e tentou fugir dos agressores antes de ser morto a balas num milharal próximo.

A polícia que investiga o assassinato descobriu cartuchos deflagrados de rifles de combate AK-47 no local do crime, o que levantou suspeitas de que poderosos caciques (chefes comunitários tradicionais) estavam por detrás do assassinato.

Aureliano Lopez Lopez, porta-voz da Organização das Comunidades Evangélicas do Planalto de Chiapas (OCEPC) falou numa entrevista à imprensa que acredita serem os caciques os autores do assassinato de Mendez porque eles transacionam abertamente com o tipo de armas ilegais usadas na morte do pastor.

Não há paz em Chamula porque as autoridades municipais estão financiando e comprando armas...numa ação coordenada com os caciques da comunidade, disse Lopez em declarações que apareceram no jornal de Chiapas, o Cuarto Poder. Nossos companheiros os viram com chifres de cabra (gíria local para os AK-47) enquanto patrulhavam em suas caminhonetes.

Por sua vez, o prefeito de Chamula, Jose Gomez negou qualquer envolvimento no tiroteio.

Se essas forem as pessoas, então aplique todo o peso da lei, disse Gomez aos repórteres da Associated Press. Nós não sabemos de nada.

Mendez foi o segundo pastor evangélico a morrer no espaço de duas semanas. De acordo com fontes de Chiapas, alguém invadiu a casa de Jairo Solis Lopez e o matou no dia 17 de outubro na municipalidade de Mapastepec, Chiapas.

Solis pastoreou a Primeira Igreja do Nazareno de Mapastepec e foi pastor Nazareno durante apenas cinco anos. Seu filho tinha apenas 18 meses de idade. Sua jovem esposa, a professora escolar Airel Maria del Rocio Angeles, continuou ministrando ao grupo, afirma o pastor Joaquim Ocaña, superintendente das igrejas do Nazareno em Chiapas.

No dia 4 de novembro, as autoridades disseram ter descoberto o culpado, mas seu testemunho não condiz com os fatos. A investigação continua.
Os caciques tradicionalistas praticam uma religião semipagã que é uma mistura do catolicismo romano com o antigo ritual maia. Desde a chegada do cristianismo evangélico ao planalto de Chiapas em 1960, os caciques têm empregado violência e intimidação para desestimular sua divulgação.

De acordo com registros oficiais, 100 evangélicos morreram na violência religiosa. Outros milhares sofreram espancamentos e perderam propriedades. Entre 30 e 35 mil presbiterianos e pentecostais foram forçados a fugir de suas casas e vivem agora em comunidades de refúgio nos subúrbios de San Cristobal.

Os caciques têm feito suas campanhas anti-cristãs quase sem impunidade. Antes das duas detenções na última semana de outubro, somente seis caciques ou seus cúmplices haviam sido levados à justiça por crimes cometidos contra os evangélicos.

Apesar da inexorável perseguição, o cristianismo evangélico tem crescido em ritmo acelerado em Chiapas, um conturbado Estado que também enfrentou a insurreição guerrilheira liderada pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional.

Os evangélicos hoje representam aproximadamente 35% da população do Estado (mais de 4,8% em 1970), o que dá a Chiapas a maior taxa per capita de protestantes do que qualquer Estado mexicano.

Fontes de San Cristobal temem que a perseguição se espalhe a outros distritos do planalto de Chiapas, já que se intensificou a recente repressão.

No dia 25 de outubro, três evangélicos que receberam ordem para se apresentar a uma reunião na Colônia Marcos E. Becerra foram espancados. Os três homens, Carmelino e Guadalupe Lopez Hernandez e Antonio Santis Lopez, também foram ameaçados de serem expulsos de suas casas na municipalidade de Venustiano Carranza, em Chiapas. Foi dito a eles que seus filhos não tinham permissão para freqüentar a escola e que eles não podiam mais cultivar suas terras a menos que concordassem em negar a fé evangélica. A reunião na cidade foi dirigida por Esteban Hernandez Lopez, segundo juiz rural, e Antonio Lopez Gomez.

Os homens se recusaram a voltar para o catolicismo tradicionalista, o que implica em beber o posh (um forte licor) e pagar pelas festas locais. O advogado Abdías Tovilla Jaime, de San Cristobal de las Casas teme que outras conseqüências não demorem a chegar.

Na primeira semana de novembro, um juiz local emitiu uma ordem de prisão contra vários caciques ligados à agressão de julho contra os cristãos da comunidade de Flores Magon. Nesse ataque, um homem evangélico perdeu um olho e uma mulher idosa perdeu dois dentes devido a espancamento e apedrejamento.

Quando ficaram sabendo da ordem de prisão, os caciques reagiram ameaçando seqüestrar cristãos evangélicos e mantê-los para trocar por qualquer cacique que for preso pela polícia local.


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