Preso novamente arcebispo ortodoxo da Sérvia

| 21/01/2004 - 00:00


Durante um culto em Bitola, sul da Macedônia, dia 11 de janeiro, a polícia deste país interrompeu o culto e prendeu o Arcebispo Jovan (Vraniskovski) da Igreja Ortodoxa Sérvia, quatro monges, sete freiras e um estudante de teologia da Bulgária, atualmente estudando na Grécia. A ocorrência aconteceu no apartamento do pai do arcebispo, mesmo local do culto. O apartamento foi adaptado em uma capela com o nome A Ascenção do Senhor. Todos que foram presos foram detidos em custódia por 24 horas, e um juíz investigativo os questionou sobre o que o arcebispo queria dizer como o o culto alegado. Depois de sua liberação, o arcebispo foi preso novamente e sentenciado por detenção investigativa de 30 dias e, de acordo com o Ministério do Interior da Macedônia, o estudante búlgaro foi deportado e proibido de entrar na Macedônia por dois anos.
 
A Promotoria Pública acusou Jovan por disseminação de ódio religioso, nacional e racial e disordem e segragação de acordo com o Artigo 319 do Código Criminal. Mirjana Konteska, porta-voz do Ministério do Interior, disse ao Forum18, na cidade de Skopje no dia 13 de janeiro de 2004, que todos as treze pessoas detidas durante o culto eram suspeitas de espalhar o ódio religioso, baseado nisso, o juíz Slobodanka Bakevska ordenou a polícia a entrar com a permissão de deter os acusados. Ainda sobre os detidos, Konteska disse que eles se defenderam em silêncio e os monges e freiras detidos serão acusados perante a Corte Magistral por perturbação à ordem e paz pública.

Entre as mais de trinta pessoas presentes no apartamento, estavam representantes de quatro monastérios na Macedônia que previamente anunciaram que entrarão em unidade canonial com o Arcebispo de Ohrid, disse Konteska do Ministério do Interior.

Essa foi a base para o promotor enquadrá-los como disseminadores do ódio religioso. Eles estavam no processo de admitir os monges e freiras Arquideocésia de Ohrid, que é não-existente na Macedônia.

Em 2003 Jovan foi confinado na solitária por batizar um parente e um membro ativo da Igreja Ortodoxa Macedônica.
No dia 31 de outubro de 2003 ele foi sentenciado por um ano de prisão, mas esse período foi suspenso por dois anos desde que ele não cometesse o que as autoridades da Macedônia consideram ultrapassar as ofensas. O porta voz do Ministério do Interior disse ao Forum18 que durante a atual detenção do arcebispo um juíz irá investigar caso esse ato seja reincidente, em que caso esses dois podem ser julgados juntos.
 
Jovan foi Bispo da Igreja Ortodoxa Macedônica que reponder ao chamado para a reunificação das igrejas ortodoxas da Sérvia e da Macedônia por Patriarch Pavle em 2002. Jovan foi nomeado como bispo Ortodoxo Sérvio e patriarcal egzarth para todas as dioceses de Ohrid. A Igreja Ortodoxa Macedônica em 1958 reagiu a uma pressão intensa pelo então ditador Marechal Tito por ganhar autonomia dentro da Igreja Ortodoxa Sérvia. Em 1968 a Igreja Ortodoxa Macedônica reivindicou independência plena da Igreja Ortodoxa Sérvia, também com uma interferência muito pesada da parte daquele governo, mas nenhuma Igreja Ortodoxa no mundo reconhece sua emancipação.
A Igreja Ortodoxa emitiu uma condenação muito alta de renovar o período de prisão de Jovan, e condenou a interferência do estado com a liberdade religiosa do clero e de seus fiéis.
 
O verdadeiro motivo de sua prisão deveria ser visto nos movimentos por metade da população monástica da Macedônia em direção a reconciliação com a Igreja Ortodoxa Sérvia, disse Ana Kostic-Dimitrijevska da Radio KIM ao Forum18 desde Skopje, capital da Macedônia. Três monastérios se juntaram à Igreja Ortodoxa, algumas fontes dizem que foram quatro e esse foi o motivo de todo esse alvoroço na Igreja Ortodoxa Macedônica e no governo deste mesmo país.

Quando o nome dos quatro monastérios foram mencionados, o Bispo Ortodoxo Timotej declarou que: Todas as igrejas e monastérios no território da Macedônia fazem parte da Igreja Ortodoxa Macedônica. Todos os monges herdeiros reponsáveis por esses monastérios foram desmembrados no mesmo dia e substituído por outros, com a assistência da polícia uniformizada.
 
Quando a polícia invadiu o apartamentou, eles confiscaram o telefone celular do Jovan, computador e outros aparelhos de comunicação essa informação foi passada pelo Freire Nektarije, Sérvio ortodoxo das dioceses de Raska e Prizen, ao Forum18 em Gracanica (Kosovo) no dia 13 de janeiro de 2004.

Esse freire é um amigo muito próximo de Jovan. A última vez que eu estive em contato com Jovan, um dia antes da prisão, ele estava sabendo dos problemas que poderiam ressurgir. No ano anterior ele foi preso por servir em uma igreja, dessa vez ele foi preso por servir em uma casa que foi adaptada em uma pequena capela.

A agência de notícias Beta relatou no dia 13 de janeiro de 2004 que Pavle escreveu ao presidente da Macedônia, Trasjkovski (em visita a Portugal) solicitando um encontro de caráter urgente com ele. Entretanto, o governo emitiu no mesmo dia uma nota que a preservação e a defesa do estatus de emancipação e inteiredade da Igreja Ortodoxa Macedônica, defesa de seu nome, que está diretamente ligado à identidade nacional do povo e do estado macedônico, é de interesse estratégico da igreja, do povo, do estado e do Governo. Tanto a Igreja Ortodoxa como o Governo da Macedônia estão em posição de defesa da integridade, identidade e dignidade para a preservação da honra da Igreja Ortodoxa Macedônica.

Apesar da polícia ter interrompido uma cerimônia religiosa para prender Jovan, Kondeska, do Ministério do Interior, insiste em dizer ao Forum18 que não é verdade que as comunidades religiosas não estão permitidas a realizarem cerimônias fora dos templos. De acordo com Kondeska, esse requerimento foi banido e não há obstáculo legal para o clero de outros países entrarem no país. No passado, inúmeros exemplos foram relatados pelo clero ortodoxo da Bulgária, Grécia e Sérvia de serem proibidos de entrarem na Macedônia com suas vestes religiosas.

Nesse ano, o primo ministro macedônico Crvenkovski, declarou que o governo irá adotar em breve um novo projeto de lei para as comunidades religiosas, e que esse primeiro projeto tinah sido avaliado pelo Ministro da Justiça.


Por Branko Bjelajac, Forum18 News Service


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