Falar de paz hoje é falar de religiões, diz Pérez Esquivel

| 17/08/2008 - 00:00


Frente a um cenário mundial caracterizado pela emergência de conflitos políticos, étnicos e religiosos, a diversidade de idéias e a tolerância entre os povos constituem medidas eficazes para recriar um mundo mais justo e pacífico, disse o Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, na abertura da 6. Conferência Mídia, Religião e Cultura, acolhida pela Universidade Metodista de São Paulo, de 11 a 14 de agosto.

“Devemos nos comunicar uns com os outros, pois sem o diálogo entre as pessoas nada se constrói”, enfatizou Esquivel aos representantes de 26 nações e de mais de 80 instituições de ensino reunidos na conferência internacional de São Paulo para debater e apresentar trabalhos científicos relacionados à religião, mídia, cultura e paz.

Ativista de direitos humanos e fundador do jornal "Justiça", Pérez Esquivel recordou que falar de paz no mundo de hoje é falar das religiões e do lugar da mídia e da tecnologia. Esses elementos, afirmou, podem tanto favorecer a construção de um cenário de paz quanto contribuir para a sua falência.

Insistindo na necessidade de uma compreensão de todas as religiões globais, o palestrante argumentou que Deus é de todos e não apenas de um único povo. “Devemos compartilhar informações e aprender através das diferentes vertentes religiosas”, destacou.

Democratizacão da comunicação

Na avaliação do arquiteto e professor argentino, os meios de comunicação desempenham papel central para a disseminação de idéias e opiniões, sendo preciso democratizá-los. “O reconhecimento de outras culturas, gêneros, formas de pensamento e religiões é de suma importância na garantia dos direitos dos povos e a construção de democracia”, sentenciou.

Ao falar para jornalistas em coletiva de imprensa antes do início do evento, Pérez Esquivel disse que os profissionais da área da comunicação têm o poder do texto. “Com uma única palavra podemos amar e também destruir. A palavra tem a força de uma arma”, argumentou.

O militante dos direitos humanos mencionou ainda as inúmeras possibilidades de aproximação de pessoas e povos que o advento da internet possibilitou, além do ilimitado acesso para a veiculação e recepção de informações e mensagens.

Ele ressaltou, contudo, "que o tempo das máquinas está se tornando também o tempo da cotidianidade, fazendo da correria dos dias atuais um fator de perda da identidade e da visão do mundo das pessoas”.

A 6. Conferência Mídia, Religião e Cultura conta com o apoio da Cátedra Unesco de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e da Associação para a Comunicação Cristã (Wacc, a sigla em inglês) da América Latina começou no último dia 11 e terminou no dia 14.

Religião: um dos assuntos mais importantes do século 21

Segundo o organizador internacional da conferência, professor Stewart Hoover, as discussões em torno da religião representam um dos assuntos mais importantes do século 21. “A maneira como nós temos pensado a religião no passado não costuma incluir a mídia. Hoje, devemos estudar o papel da mídia na religião e a religião na mídia”, afirmou.

A conferência de São Paulo, focada em temas relacionados à sociedade multicultural e multirreligiosa, foi precedida pela conferência Mídia, Religião e Cultura, reunida na cidade de Signtuna, na Suécia, em 2006. A primeira conferência deste tipo foi realizada em Upsala, na Suécia, em 1993.


Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

© 2021 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE