Polícia faz pouco para proteger cristãos em Orissa, Índia

| 08/09/2008 - 00:00


Vítimas da violência de extremistas hindus, cristãos que fugiram para a capital do Estado de Orissa disseram que a polícia estadual tem sido mera espectadora do caos que continua há quase duas semanas.

O ataque aos cristãos e às suas propriedades e instituições começaram no distrito de Kandhamal, Orissa, após o assassinato do líder do Vishwa Hindu Parishad (Conselho Hindu Mundial ou VHP), Laxmanananda Saraswati, e quatro de seus discípulos em 23 de agosto. Os maoístas se responsabilizaram pelos assassinatos no dia 1º de setembro, mas apesar da declaração, a violência não diminuiu, já que os líderes cristãos dizem que mais de cem pessoas morreram.

Entre os que fugiram para a capital Bhubaneswar estava o padre católico Pradodha Kumar, que chegou à Casa do Arcebispo, na capital, após uma viagem de sete dias, do vilarejo Onjamundi em Kandhamal. Ele estava com outras pessoas amedrontadas. Seus celulares recebiam notícias constantes de mais ataques a seus parentes, amigos e membros de igrejas nos vilarejos de Kandhamal.

O padre Kumar parecia muito preocupado com uma ligação específica:

"Meu irmão foi forçado a se ´reconverter´ ao hinduísmo, pois se não o fizesse, sua casa seria destruída", ele disse.

Questionado pelo motivo de não ter relatado o abuso à polícia, o padre disse à agência de notícia Compass que, se os policiais "testemunhavam cristãos sendo brutalmente atacados´, porque eles se incomodariam em proteger seu irmão?

Alguns minutos depois, o celular do padre Kumar tocou novamente. Dessa vez era sobre os cristãos no vilarejo de Kanpada, no distrito de Kandhamal, forçados a se reconverter se não quisessem suas casas queimadas.

Logo em seguida, outra vítima na casa recebeu uma ligação, informando que 19 casas e igrejas haviam sido queimadas naquela manhã no vilarejo de Lujurmunda, na jurisdição policial de Tikabali, em Kandhamal.

A inércia do Estado

A declaração da maioria das vítimas da violência de Orissa é a de que a polícia não faz nada para proteger os cristãos.

Ravindranath Pradhan, um ex-soldado de 45 anos do Exército indiano, disse ao Compass que dois policias vieram até ele em seu vilarejo, Gadragaon, em Kandhamal, em 24 de agosto e perguntarem se ele ouvira as notícias sobre a morte de Saraswati. Os policias lhe disseram para ser cauteloso, mas quando Ravindranath disse que a polícia deveria proteger ele e sua família, eles disseram que não tinham poder suficiente para isso e saíram do vilarejo.

Pouco depois, Ravindranath disse, um grupo de 50 extremistas hindus atacou o vilarejo e queimou 31 casas que pertenciam aos cristãos. A multidão ateou fogo e matou seu irmão, Rasanand Pradhan, que sofria de paralisia, enquanto estava deitado no quarto que pegou fogo.

"Há um posto policial no vilarejo de Pasora, a cerca de 5 quilômetros de Gadragaon, mas não havia nenhum policial na hora do ataque", disse o ex-soldado ao Compass.

Uma viagem difícil

Ravindranath Pradhan, junto com mais de cem cristãos, incluindo mulheres, crianças e bebês desse vilarejo, caminharam até Bhubaneswar, mais de 300 quilômetros. Ele viajou à pé e usou vários meios de transporte, parando em inúmeras florestas, antes de conseguir chegar à capital do Estado na terça, dia 2 de setembro.

"Levamos quatro longos dias para chegar em Bhubaneswar", disse Ravindranath. "Não comemos nada. Sobrevivemos bebendo água dos rios ao longo do caminho. Também encontramos animais ferozes em algumas florestas".


Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

© 2021 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE