Departamento de Estado publica relatório sobre liberdade religiosa

Em 19 de setembro, o Departamento de Estado americano lançou o Relatório de Liberdade Religiosa Internacional 2008. A edição cobriu 198 países e territórios.

Segundo John V. Hanford III, embaixador pela liberdade religiosa, a Coréia do Norte continua a ser o maior violador. O culto a Kim Jong-il e ao seu falecido pai ainda é uma importante base do regime, uma vez que esse culto chega a ser uma espécie de religião do Estado.

Alguns estrangeiros que visitaram o país contaram que os cultos prestados nas igrejas cristãs do governo pareciam encenações. Os sermões eram impregnados de conteúdo político que apoiava o regime. Os norte-coreanos que atendiam aos cultos chegavam e iam embora juntos, em ônibus de turismo.

Segundo o embaixador John Hanford, pode-se dizer que a Coréia do Norte é um lugar onde simplesmente não existe liberdade religiosa. É muito difícil obter informação sobre o país. A maioria vem de fugitivos.

Estima-se que 150 mil a 200 mil pessoas estejam presas em campos de concentração em áreas remotas. Esses são lugares cruéis e refugiados que ficaram ali relataram que as pessoas presas por motivos religiosos são tratadas pior do que os outros detentos.

Eritréia, Índia, Mianmar e Vietnã

Durante o período coberto pelo relatório, o governo da Eritréia continua a ter um péssimo registro de abusos à liberdade: prisões, torturas e até o assassinato de alguns cidadãos que simplesmente realizavam cultos fora de uma das quatro entidades religiosas aprovadas pelo governo.

Na Índia, foi observado o aumento da violência contra os cristãos no Estado de Orissa, onde fatores religiosos combinaram-se a descontentamentos sociais, econômicos e étnicos. Essa combinação gerou intranqüilidade, a despeito dos esforços do governo central para manter a harmonia da comunidade.

A violência anticristã alastrou-se ao Estado de Karnataka na semana passada, e um pouco dela parece ter motivações políticas, uma vez que parte dos ataques foi realizado pela polícia.

Em setembro de 2007, o regime militar de Mianmar suprimiu com violência alguns protestos pacíficos realizados por monges budistas e cidadãos comuns. Em resposta, forças de segurança invadiram monastérios budistas e, em alguns casos, destruíram-nos.

Segundo o relatório, o Vietnã caminha positivamente. Ele está se movendo mais lentamente do que o esperado, particularmente no que diz respeito ao registro de lugares de culto. Mas, para o embaixador, o governo tem tomado decisões que dão mais espaço para seguidores de quase todos os grupos religiosos praticarem sua fé.

Mundo muçulmano

O governo do Irã continua a oprimir grupos islâmicos não-xiitas, cristãos e judeus. Um foco especial é dado a dois convertidos muçulmanos que foram acusados oficialmente de apostasia.

No Egito decretou-se que a liberdade de conversão é destinada apenas aos que não são muçulmanos. Mais uma vez, o governo foi incapaz de reparar leis e práticas que discriminam a minoria cristã, ao proibir a construção e reforma em propriedades das igrejas.

As autoridades também prenderam muçulmanos convertidos ao cristianismo e defensores da liberdade religiosa, intimidando-os a fim de que não mais protestassem após sua libertação.

Constataram-se problemas também na Argélia e na Jordânia, que tradicionalmente se mostravam respeitosas às minorias religiosas.

Da Argélia vieram afirmações de que o governo tem restringido o culto cristão, prendendo, sentenciando convertidos ao cristianismo e fechando igrejas.

Na Jordânia, um tribunal da sharia condenou um ex-muçulmano por apostasia, anulou seu casamento e deixou-o sem identidade religiosa.

O governo jordaniano também tem perturbado pessoas e indivíduos com base na filiação religiosa deles.

John Hanford notou algumas melhorias na Arábia Saudita, como a libertação de alguns prisioneiros.

Para ele, o número de problemas relacionados à polícia religiosa, o mutaween, diminuiu. Os ataques que costumavam ser realizados – inclusive a lugares de culto não-muçulmanos – estão ocorrendo de forma menos freqüente.

Ásia Central

Na Ásia Central, o Cazaquistão, o Quiguistão e o Tadjiquistão têm tido mudanças problemáticas para mudar suas leis religiosas, o que pode trazer restrições significativas.

No Uzbequistão, as leis que exigem o registro de lugares de culto resultaram na prisão de pessoas que praticavam pacificamente sua religião.

Também é preocupante o número de cidadãos muçulmanos suspeitos de atividades extremistas. O Uzbequistão possui, de fato, elementos terroristas em seu meio.

Leia aqui mais informações sobre o relatório.
 

Nota da Missão Portas Abertas: Todas as informações publicadas acima foram extraídas do Relatório Internacional de Liberdade Religiosa, e expressam a opinião de seus autores. A opinião da Portas Abertas sobre a liberdade religiosa mundial pode ser lida aqui.