Líderes eclesiásticos pedem intervenção do Exército em Mosul

Em meio à crescente violência contra os cristãos iraquianos, líderes da Igreja no país apelaram diretamente ao primeiro-ministro Nuri al-Maliki, pedindo mais ações para acabar com os ataques na cidade de Mosul.

Nessa reunião de 16 de outubro, dez líderes eclesiásticos pediram ao premiê que enviasse o Exército para Mosul. Mil policiais foram enviados à região na semana passada, com objetivo de proteger os cristãos.

Segundo os líderes, o trabalho dos policiais tem sido insuficiente, e é preciso de mais ações para estabilizar a cidade. Estima-se que 1.500 famílias já fugiram da cidade em razão dos recentes assassinatos de cristãos (leia mais).

Al-Maliki assegurou aos líderes de que ele fará o que estiver ao seu alcance para ajudá-los, e que esperava mandar soldados a Mosul “imediatamente”.

Shlemon Warduni, auxiliar de um dos líderes presentes, disse: “Ele está preocupado e triste com o que está acontecendo. Vai fazer o que pode juntamente com quem trabalha com ele”.

A comunidade cristã acredita que a polícia enviada à cidade tem feito pouca diferença, e que se precisa de mais forças militares para assegurar a paz.

“Espero que façam alguma coisa; que prossigam, como eles mesmos disseram, até que haja paz”, disse Shlemon.

Famílias em pânico

O padre Basher Warda, do seminário São Pedro vê a mesma urgência. Funcionários do governo visitaram Mosul e as vítimas, fazendo promessas de que iriam ajudar, “mas, até agora, nada”, disse Basher. “Há umas iniciativas aqui e ali, mas elas não conseguem dar conta de toda a crise.”

Ele salientou o fato de que nenhum representante militar falou que Mosul está agora segura.

“O sistema todo precisa ser reconsiderado” Basher comentou. “Em uma crise, o governo não deveria sair de férias, nem descansar. Mas eles dizem: ‘Nos próximos dias a gente vê o que faz’. Não é uma questão de ‘nos próximos dias’; trata-se de famílias que deixaram tudo para trás.”

Segundo Basher, famílias continuam a fugir enquanto ainda há ameaças, explosões e mortes em Mosul. Ele disse que 20% dos desabrigados com os quais falou foram diretamente ameaçados antes de sair de Mosul.

Outros descreveram as ameaças que viram seus vizinhos recebendo, “o assassinato de um homem, de seu pai e de seu filho” nas ruas.

“Esses(...) mostram que há planos de tirar os cristãos de Mosul. Eles dizem: ‘Não podemos arriscar’”.