Bispo comenta a violência religiosa no Iraque

| 21/10/2008 - 00:00


Os recentes assassinatos de cristãos na cidade de Mosul, no norte do Iraque, deixaram a Igreja abalada e indagando pelos responsáveis.

Essas informações foram dadas por Shlemon Warduni, bispo auxiliar da Igreja Caldéia de Bagdá.

Pelo menos 12 cristãos foram assassinados na cidade de Mosul nas últimas duas semanas. Além disso, cristãos tiveram suas casas destruídas e várias famílias tiveram de fugir.

"O que tem acontecido em Mosul nos surpreendeu e deixou muitas dúvidas sobre quem teria sido o responsável por essa violência”, disse Shlemon. "Os atos recentes de violência contra os cristãos geram dor e tristeza, mas eles vêm de sentimentos de alienação. Nós, cristãos, sempre vivemos e coexistimos com nossos irmãos muçulmanos, no mesmo país, em um clima de paz e fraternidade e no espírito de afeição e cooperação.”

Os assassinatos de Mosul forçaram cerca de 1.500 famílias cristãs a deixarem suas casas e procurarem refúgio em lugares mais seguros, disse o bispo.

"O acontecimento fez com que levantássemos nossas vozes e pedíssemos ao governo que nos salvasse, porque ele é responsável pela vida e o bem-estar de seus cidadãos”, ele disse.

Shlemon espera que o envio de soldados pelo governo ao domingos para proteger os cidadãos e trazer segurança às igrejas restaurasse o “clima de normalidade” na cidade.

A cidade de Mosul é o lar da segunda maior comunidade cristã no Iraque. A primeira está em Bagdá.

Shlemon espera que os assassinatos de Mosul não estejam ligados a protestos organizados no Iraque por cristãos que pedem uma política de proteção de minorias nas novas regras eleitorais.

A lei eleitoral, aprovada pelo parlamento iraquiano em 24 de setembro depois de meses de debates, permite que a maior parte das províncias do país tenha eleições no ano que vem.

"Quando os cristãos organizaram passeatas e protestos para a remoção do artigo 50 da lei, que traziam as garantias das minorias, eles estava pedindo para que seus direitos fossem garantidos pela Constituição iraquiana”, disse Shlemon.

"Também somos iraquianos, filhos deste solo. Nossa história aqui é milenar”, ele salienta.

"Os direitos dos cristãos têm sido ignorados há muito tempo no Oriente Médio, e nós temos sido vítimas de opressão e perseguição. Sofremos sem saber por que. Pode ser que exista um grande plano na região para acabar com os cristãos, mas esperamos que não seja verdade”, continua ele.

Grupos sunitas acusam as milícias curdas de tentar alterara a composição étnica do norte do país e pelos recentes assassinatos de cristãos em Mosul.

"A maioria dos muçulmanos, de todas as classes sociais, acredita em uma coexistência”, conclui Shlemon.

Apesar de a Igreja Católica Caldéia ser uma das igrejas cristãs mais antigas do mundo, milhares de cristãos têm sido forçados a deixar o Iraque para escapar da violência e da crise econômica causadas pela guerra.

De acordo com um senso feito pela diocese iraquiana, atualmente há cerca de 800 mil cristãos no Iraque. Antes da invasão norte-americana, em 2003, havia mais de um milhão.


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