Ataques podem ter sido motivados por protesto de cristãos

Não se pode dizer o que está por trás dos ataques que os cristãos sofreram em Mosul, onde as tropas iraquianas e americanas têm conduzido operações contra o grupo militante sunita al-Qaeda.

Os ataques contra os cristãos acontecem logo depois de uma câmara legislativa iraquiana votar pela retirada de uma cláusula na sua nova lei eleitoral da província, o artigo 50. Esse artigo protege os direitos das minorias, garantindo-lhes um representante nos conselhos da província.

A mudança nessa lei, ocorrida no começo de outubro, levou os cristãos de Mosul a protestar. Acredita-se que os tais protestos tenham motivado os ataques contra a comunidade cristã.

No encontro que os líderes da comunidade cristã tiveram com o primeiro-ministro Nuri al-Maliki, pediu-se que o Artigo 50 fosse restaurado. Al-Maliki afirmou aos líderes cristãos que ele mencionaria esse caso na próxima reunião do Parlamento.

Ainda que se recusem em relacionar os ataques aos protestos, o padre Basher Warda disse à agência de notícias Compass que achou que os ataques foram coordenados.

“Pode até ser coincidência, ou talvez seja um momento oportuno para a violência”, disse Basher. “Mas, independentemente do motivo, me parece que existia um plano para essa violência vir à tona. Não podemos afirmar que é só coincidência, pois tudo aconteceu muito rapidamente.”

Bahser disse que varrer os cristãos de Mosul é “uma tarefa colossal”. “Estamos falando de 1.700 famílias que tiveram que fugir em 9 dias”, afirma.

Devido aos ataques contra igrejas e indivíduos, cristãos do Iraque tiveram de fugiram para as cidades próximas, abandonando seus negócios e suas casas.

Alguns dos refugiados de Mosul pediram abrigo tanto na Turquia quanto na Síria. Mas são as pequenas e despreparadas aldeias que cercam a cidade que têm recebido a maior parte dos fugitivos segundo Basher.

O interesse principal dos líderes da Igreja, nesse momento, é o retorno dos que fugiram.

“ parte da história deles, da sua herança e lembranças. Temos de fazer algo”, disse Basher. Aqueles com os quais conversou tinham muito medo de voltar para suas casas e não sabem se podem confiar na proteção do governo.

Quando foi perguntado sobre a possibilidade de Mosul perder toda a população cristã, Basher respondeu: “Não quero pensar nisso, pois seria uma tragédia para todo o povo. As escolhas são limitadas. A minha preocupação agora é com os cristãos que estão abandonando a cidade”.

Apesar de otimista em relação à situação da comunidade cristã de Mosul, o bispo auxiliar da Igreja Caldeia de Bagdá, Shlemon Warduni, não hesitou em criticar o que ele considera “silêncio” da comunidade internacional sobre os direitos humanos da comunidade cristã no Iraque.

“Quero dizer ao primeiro mundo que, desde o princípio, ninguém falou nada. Ninguém está falando sobre os direitos dos cristãos e das minorias no Iraque. Estamos esperando apoio do exterior, pelo menos como seres humanos, não só como cristãos”, diz Shlemon.