Clérigos exortam governo a processar assassinos de padre

Os clérigos da Sociedade da Palavra Divina (SPD) no norte das Filipinas resolveram pressionar o governo para prender e processar os suspeitos de assassinato de um padre há mais de um ano.

O padre Fransikus Madhu, da Indonésia, foi assassinado em 1º de abril de 2007, na cidade de Lubuagan, província de Kalinga. O assassino que atirou contra ele ainda não foi preso, embora muitas pessoas tenham testemunhado os tiros.

Lubuagan fica a 300 quilômetros de distância de Manila.

Os líderes da SPD fizeram uma declaração sobre o caso, assinado pelo padre Jerome Adriático, superior do SPD da Província do Norte. Segundo Manolito Barona, coordenador da Comissão de Justiça e Paz do SPD da província, o relatório foi emitido para destacar o caso e fazer com que o governo agilize a prisão dos três suspeitos.

Eles apresentaram o caso do padre Madhu como exemplo da falha da justiça no país. O assassinato de pessoas inocentes não é resolvido “por causa doe medo”, afirmaram os pastores, concluindo que “a justiça ainda é mais lenta quando não há influência e os meios necessários”.

Testemunhas ausentes

Conversando com UCA News, o advogado Jeff Dugayon , que está liderando o caso contra Acmor Bonggawon, o único dos suspeitos que a polícia prendeu no caso do padre Madhu, disse que ele terminou de apresentar as testemunhas da Acusação. Espera-se que a Defesa comece a apresentar suas testemunhas, quando o caso for reaberto, no final de outubro.

“A possibilidade de que sejam condenados é nula por falta de testemunhas”, admitiu Jeff. Ele disse que das 15 testemunhas listadas no depoimento de testemunhas ajuramentadas, nas quais a polícia baseou o caso, somente uma compareceu. Ela testemunha disse para o juiz que não estava presente na hora dos tiros, contrariando o que havia dito no depoimento, concluiu Jeff.

O advogado disse que as testemunhas lhe falaram que assinaram o depoimento, sem entender o seu conteúdo. “Eu estava tentando retirar esse caso e fazer outro, mais consistente, baseado nas testemunhas oculares do tiroteio”, ele contou.

Mas o tribunal negou a moção, dizendo que a Acusação já havia apresentado sua testemunha, ele afirmou.

Jeff também contou que o testemunho dos policiais que ele apresentou não teve valor para provar o envolvimento de Acmor no assassinato, pois eles só poderiam depor sobre o que ocorreu depois dos tiros.

Apesar de tudo, o advogado espera abrir um caso mais fundamentado contra os outros suspeitos, “se o povo de Lubuagan cooperar”.

Anteriormente, Jeff havia dito a UCA News que as testemunhas haviam “identificado positivamente” Acmor como sendo um dos três homens que se aproximaram do padre Madhu. Um deles, Nestor Wailan, atirou contra o padre na frente da congregação, que se preparava para a missa do Domingo de Ramos, em uma escola.

O outro suspeito, Joel Awingan, é da vila de Wakangan, em Lubuagan. Os paroquianos apelaram aos parentes dele e de Nestor para que convencessem a se entregar.