Acusações de blasfêmia fazem famílias se esconderem

| 20/11/2008 - 00:00


Um médico cristão no Paquistão, na prisão desde 5 de maio sob acusação de “blasfêmia”, foi inocentado na semana passada. Ao mesmo tempo, outro cristão e sua filha permanecem encarcerados por mais de um mês sob as acusações de profanarem o Alcorão.

Dr. Robin Sardar, da província de Punjab foi libertado no dia 4 de novembro após seu acusador ter alegado que a acusação de blasfêmia contra o profeta Maomé tinha sido o resultado de um “mal-entendido”.

“A pessoa que o denunciou disse, no tribunal, que fez essas coisas devido a um mal-entendido” – disse Ezra Shujaab, da Aliança das Minorias do Paquistão (AMP). A entidade ofereceu um advogado para Robin.

Após uma investigação completa, o tribunal constatou que a acusação era infundada e libertou Robin, disse Ezra. Os moradores da vila e clérigos muçulmanos tinham ameaçado matar Robin se ele fosse inocentado; então ele se escondeu, como fez sua família após sua prisão, há seis meses. Pessoas armadas, gritando ameaças de morte, cercaram a casa da família.

Em maio, Dr. Robin foi levado para a Prisão Central Gujranwala, em Punjab, após um vendedor muçulmano registrar a queixa de blasfêmia. Foi relatado que Robin e o vendedor tiveram conflitos quanto ao fato de o mercador poder abrir uma loja em frente à clínica do médico.

O vendedor, Muhammad Rafique, afirmou que Robin tinha insultado o profeta Maomé durante uma visita. Em sua declaração escrita, Rafique havia pedido a pena de morte para Robin e ameaçou que os muçulmanos iriam se rebelar caso a polícia não o prendesse.

De acordo com o artigo 295-C do Código Penal Paquistanês, a blasfêmia contra Maomé é passível de morte.

Prisão de pai e filha

Como aconteceu a Robin, grupos violentos atacaram a casa de Gulsher Masih, após sua filha ter sido acusada de profanar o Alcorão, no dia 9 de outubro, na vila de Tehsil Chak Jhumra.

Ele e sua filha de 25 anos, Sandal Gulsher, estão detidos em Faisalabad desde o dia 10 de outubro, e o resto da família teve que fugir e se esconder.

Mais de cem pessoas armadas com paus, pedras e garrafas de querosene se reuniram na casa de Gulsher no mês passado, após as acusações de que ele tinha encorajado sua filha a rasgar as páginas do Alcorão. Essas acusações foram transmitidas nos auto-falantes de uma mesquita.

“Apedrejaram a casa deles e puseram querosene em toda a casa para causar um incêndio” – disse Yousef Benjamin, da Comissão Nacional para a Justiça e a Paz. “Entretanto, a polícia chegou antes de tudo isso acontecer.”

Inicialmente toda a família foi levada em proteção pela polícia para a delegacia mais próxima em Faisalabad.

Sobre pressão de manifestantes, a polícia, no dia 10 de outubro, acusou a filha de Gulsher, e ele mesmo, de violar a seção 295-B do Código Penal Paquistanês, que determina prisão perpétua para aqueles culpados por profanarem o Alcorão.

“No dia 10 de outubro, quando a polícia estava pronta para registrar o boletim de ocorrência, eu estava lá e mais de cem muçulmanos pressionavam a polícia, dizendo: ‘Nós queremos que ele e sua filha sejam enforcados’”, disse Quaiser Félix, um jornalista do Asia News.

Gulsher e sua filha permanecem em custódia, aguardando uma audiência no tribunal. Eles alegarão inocência e negarão todas as acusações, disse Ezra Shujaab, acrescentando: “Eles não fizeram nada”.

O resto da família está escondido, impossibilitado de voltar para casa devido ao temor de novos ataques.

“No Paquistão, é muito comum que, quando um cristão é pego ou autuado pelas leis sobre blasfêmia, mesmo se o tribunal o liberta, ele tem que fugir” – disse Yousef Benjamin. “É perigoso; eles não podem voltar para a comunidade normalmente.”

Tanto a família de Robin como a de Gulsher enfrentam agora a possibilidade de nunca mais voltarem a sua cidade natal, disse Ezra.

“Robin, apesar de ter sido inocentado, não pode viver na casa que ele residia” – disse Ezra. “Eles têm de morar como refugiados.”

Apesar de as acusações falsas de blasfêmia poderem ser feitas contra muçulmanos e cristãos, as diferenças religiosas geralmente são um fator que as motivam.

“Os muçulmanos se sentem desafiados por essas pessoas, aquelas que de certa forma se consideram cristãs” – disse Ezra.


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