Igrejas são destruídas no norte da Nigéria

Na cidade de Yelwa, Estado de Bauchi, duas igrejas foram invadidas em um período de três dias.

Relatos indicam que muçulmanos da região desmantelaram as fundações de uma nova igreja da denominação Igreja de Cristo na Nigéria (COCIN), no dia 16 de novembro.

O comandante do Exército, o comissário de polícia e o vice-governador de Bauchi visitaram a área no dia seguinte, a fim de investigar o incidente. Foi designado um guarda para o local.

No entanto, a despeito da presença dessas autoridades, uma igreja anglicana foi destruída a apenas dois quilômetros de distância na noite do dia 18 de novembro.

Embora sejam menos freqüentes os ataques contra templos cristãos, as igrejas na região central e no norte da Nigéria, onde se situa o Estado de Bauchi, ainda sofrem. Elas geralmente têm problemas para conseguir um terreno no qual se estabelecer, ou ainda, obter permissão para fazer a construção do prédio.

É muito comum que os templos sejam destruídos segundo as ordens de autoridades locais, sem que a igreja seja indenizada.

Construções interrompidas

Na cidade de Gwoza, norte do país, uma igreja católica de 50 anos foi obrigada a erigir um portão alternativo depois que uma escola islâmica bloqueou o acesso pelo portão original.

Na região da cidade de Katsina, Estado de Katsina, um pastor pentecostal e sua congregação são assaltados com freqüência: o prédio é apedrejado durante os cultos dominicais, os carros dos membros da igreja são arranhados e os pneus são furados. O pastor tem problema em uma perna, depois de ter sido agredido por jovens da região.

Uma congregação católica na área de Kankara, em Katsina, também foi impedida de finalizar a construção de seu prédio, em obras desde 1986.

Uma igreja carismática em Mani, Katsina, foi impedida de terminar a construção de seu novo prédio. A prefeitura finalizou a obra e transformou o edifício em uma biblioteca.

Diz-se também que a Assembléia Legislativa do Estado de Kano teria anunciado uma medida legal, proibindo o uso da terra para a instalação de novas igrejas, mesmo se a terra em questão pertencesse a um cristão.

Um nigeriano comentou a Christian Solidarity Worldwide (CSW): "Isso ilustra a inconstância de tais incidentes nos Estado do norte. Embora as autoridades pareçam prontas para promulgar a paz, elas ainda têm de permear o segmento intolerante da sociedade, que continua a fomentar a tensão religiosa, agindo quando bem entendem”.