Pastor relata a dificuldade de ser cristão em Mianmar

Saw Stephen, 34, da etnia karen, tem tentado servir como pastor no Estado de Karenni desde 1996. Mas, como muitos cristãos em Mianmar, Saw sofre perseguição por parte da junta militar do país, conhecida como Conselho Estadual de Desenvolvimento e Paz (SPDC).

"A primeira igreja que pastoreei, Igreja Batista Proteção, tinha mais de 250 pessoas, mas o governo militar .

"Fui capturado e levado ao gabinete militar. Fiquei quatro meses preso em uma pequena sala, sem poder ter contato com minha família.

"Após a liberação, fui realocado em outra igreja, a Igreja Batista Law Da Lay, no Estado de Karenni. Tínhamos mais de 120 famílias; mais de 600 pessoas freqüentavam a igreja. A maioria dos moradores da vila era cristã.

"Em 5 de novembro de 2003, o governo militar chegou à aldeia e ordenou que saíssemos. Eles disseram: ‘Se vocês não saírem dentro de uma semana, serão nossos inimigos’. Eles não explicaram porque tínhamos de sair. Os soldados destruíram a nossa igreja.

“Ninguém mais ficou na aldeia, todos se afastaram. A maioria fugiu para a selva. Eu fui para o campo de refugiados na Tailândia.

"O governonão nos irá permitir reconstruir as igrejas. Eles não irão permitir construir qualquer igreja no país.

“Agora, eu não posso ficar muito tempo em um mesmo lugar. Vou de um lugar a lugar. Não é seguro para mim.

"O Governo de Mianmar é anticristão. Eles estão com medo de que o cristianismo traga costumes ocidentais. ‘Vai estragar a nossa cultura’, dizem eles. Eles vêem o cristianismo como uma religião ocidental. ‘É a principal religião do Ocidente’, dizem, ‘ é por isso que eles odeiam e têm medo dessa religião. Dirigentes da junta militar disseram que o povo de Mianmar tem de ter cuidado com os cristãos: ‘As políticas ocidentais podem entrar e passar à frente de nós’, eles dizem.

“As pessoas passam fome em Mianmar. Vejo tantas crianças morrendo de fome. Ninguém pode mudar Mianmar. Somente Deus pode mudar Mianmar. Por favor, orem por nós."