Cristãos são forçados a deixar campos de refugiados

As vítimas de violência anticristã no distrito de Kandhamal, Orissa, estão sendo forçadas pela administração pública a retornar para seus vilarejos, relatou uma comunidade cristã.

O Kandhamal Christian Jankalyan Samaj (KCJS) afirmou na coletiva de imprensa que o governo tem forçados pessoas a deixarem o campo de refugiados até mesmo quando pouco foi feito na reconstrução ou reparação de suas casas.

O KCJS lamentou que as pessoas ainda se sentem “inseguras” em suas comunidades, mesmo após três meses do início da violência, em 23 de agosto.

Além disso, ameaças contínuas de fundamentalistas hindus, exigindo “re-conversões ao hinduísmo”, têm assustado cristãos, que não desejam retornar, afirmam.

O porta-voz do KCJS, N. Dinabandhu, afirmou que a polícia ainda não prendeu os criminosos envolvidos no assassinato de pessoas da vila de Tiangia, que registrou pelo menos nove mortes.

“Sob tal situação, como as pessoas podem retornar à sua cidade?”, perguntou ele.

Semana passada, a Comunidade Evangélica da Índia reportou que extremistas hindus suspeitos atacaram um escritório cristão e incendiou o veículo da entidade em Orissa, Índia.

“Os agressores destruíram o escritório de Ação Social e Evangelismo da Índia e agrediram o diretor, Niranjan Bardha, antes de queimarem por completo o carro da entidade”, afirmou em declaração oficial.

A publicação ChristianToday informou que uma mulher identificada como Lalita Digal, 45, foi assassinada no dia 25 de novembro na cidade de Dobali, distrito de Kandhamal.

“A mulher cristã que estava temporariamente no campo de refugiados foi até a cidade para trabalhar no arrozal no dia 21 de novembro. Ela estava na casa de uma amiga, enquanto foi supostamente retirada da casa e assassinada”, informou uma fonte ao ChristianToday.

Outra vítima, Leunsio Digal, morreu pela falta de medicação adequada no campo de refugiados de Daringbadi, em 24 de novembro. Ele teve febre durante uma semana.

Os campos de refugiados no Estado necessitam de certas comodidades, incluindo água potável. Enquanto não há médicos disponíveis 24h, farmacêuticos atendem aos pacientes.

Líderes cristãos informam que a violência em Orissa continua inalterada, já que mais pastores e igrejas são vítimas das “falsas alegações de conversões forçadas”.

Esses líderes pediram o término do próximo bandh, uma forma de protesto ou greve realizada por grupos hindus no dia de Natal. Eles dizem que o bandh tem como alvo os cristãos, e há a preocupação de que isso dê início a uma nova onda de violência na comunidade. Eles se reuniram com Ministros da União em Orissa e solicitaram, através de um memorando, que o bandh seja declarado ilegal. 

Ao solicitarem segurança adequada para os templos e instituições cristãos, os líderes cristãos também pediram pelo fim de “re-conversões” forçadas na região de Kandhamal. Eles pedem ao Estado para punir pessoas ou organizações envolvidas em tais ações.

A violência contra os cristãos em Orissa teve início em 23 de agosto com o assassinato de um líder hindu. Ignorando o fato de maoístas assumirem a autoria do assassinato, fundamentalistas hindus acusaram os cristãos.