Cristãos oprimidos nas ilhas de Comores e da Tanzânia

| 11/12/2008 - 00:00


Os cristãos das Ilhas Pemba e do arquipélago de Comores, lugares predominantemente muçulmanos, são agredidos, presos e marginalizados por causa de sua fé.

Essas informações foram fornecidas por líderes da igreja que viajam regularmente para as ilhas do Oceano Índico na costa leste da África.

Essas violações de liberdade religiosa ameaçam a sobrevivência do cristianismo em Pemba e em Comores que, juntamente, têm pouco menos de 300 cristãos em uma população de 1,1 milhão de pessoas.

Pemba, com cerca de 300 mil habitantes, é parte da Tanzânia, enquanto a União de Comores é uma nação com aproximadamente 800 mil habitantes.

Deixar o islamismo em troca do cristianismo explica a maioria dos danos causados aos cristãos; neste ano houve um aumento dos casos de agressão, uma vez que a relação entre as duas comunidades, já hostil, deteriorou depois da conversão em agosto do xeique Hijah Mohammed, um líder da uma importante mesquita em Chake-Chake, capital de Pemba.

A notícia da conversão de Hijah se espalhou e os muçulmanos começar a procurá-lo, uma vez que o islamismo exige a morte de acordo com a sharia (lei islâmica). Uma igreja Assembléia de Deus em Pemba rapidamente o escondeu no vilarejo de Chuini, a 20 quilômetros do aeroporto.

Boatos sobre o esconderijo vazaram aos muçulmanos, obrigando a igreja a levar Hijah a outro local. Porém, dessa vez, os líderes da igreja não revelaram para onde o levaram. A agência de notícias Compass não teve acesso ao xeique.

Passaporte confiscado

Um cristão de Zanzibar, ilha da Tanzânia, recentemente visitou os moradores de Comores e disse que os suspeitos de se converterem ao cristianismo enfrentam restrições para viajar e seus documentos são confiscados.

Ele relatou, sob anonimato, que os agentes de segurança que monitoram o ministério de um cristão de 25 anos confiscaram seu passaporte no aeroporto em julho.

Esse cristão, desprovido de seu passaporte, tentava encontrar outra maneira de deixar o país para estudar teologia na Tanzânia.

No início deste ano, autoridades expulsaram um missionário de Comores quando descobriram que ele realizava reuniões de oração às sextas-feiras. 

“A polícia invadiu a reunião, revistou a casa e encontrou Bíblias que havíamos escondido, depois nos prenderam”, disse uma fonte que não quis ser identificada. “Ficamos presos por três meses.”

O estudante de direito Musa Kim, que se converteu há nove meses, tem sofrido nas mãos de seus parentes em Comores. Eles o agridem com bastões e socos e até queimaram suas roupas, disse ele.

Vizinhos gentis o resgataram e amigos cristãos alugaram uma casa para ele, em uma localização secreta, enquanto se recupera de seus ferimentos. Em 15 de outubro, entretanto, alguns muçulmanos da ilha descobriram seu esconderijo e destruíram completamente a casa alugada.

Questionado se ele relatou o caso para a polícia, Musa foi enfático: “Não – delatar essas pessoas só vai me trazer mais problemas”.

Mais procurados

O cristão anônimo de Zanzibar denominou Comores como “um ambiente horrível para quem pratica o cristianismo”, dizendo que, assim que chegou à ilha, percebeu que estava sendo monitorado. Ele decidiu encurtar sua viagem feita no mês passado.

“Planejei pegar três diferentes táxis para ir ao aeroporto” para despistar os espiões. “Mas, graças a Deus, naquele dia conheci um padre católico que me deu uma carona com alguns soldados da Tanzânia para o aeroporto.”

Ele deixou a ilha rapidamente, ainda que tivesse um visto de trabalho com validade de 45 dias. No fim de outubro, um contato o alertou de que as autoridades de Comores o consideravam um dos “mais procurados” da ilha.

Em maio de 2006, quatro homens foram sentenciados a três meses de prisão por envolverem-se com o cristianismo. Os cristãos são amplamente discriminados pela sociedade, mas esse nível de perseguição não é relatado nos Comores desde o fim da década de 1990.

Uma grande comunidade árabe em Comores, o maior produtor mundial de cravo-da-índia, veio originalmente de Omã. A população consiste de árabes e de waswahili, a etnia nativa.

A Constituição de Comores provê liberdade religiosa, embora esta seja constantemente violada. O islamismo é a religião oficial da população comorense e qualquer um que pratique uma religião diferente enfrenta perseguição.


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