Rumores de mudança política aumentam tensão no Iraque

| 10/02/2009 - 00:00


No dia 31 de janeiro, ocorreram as eleições das câmaras em 14 das 18 províncias do Iraque. Devido à política iraquiana ser totalmente tribal, os perigos são muitos e os cristãos, sendo minoria, são inevitavelmente marginalizados. De modo geral, as eleições foram pacíficas. Não houve eleições nas províncias de Dahuk, Arbil, Sulaymaniyah e Kirkuk, ao norte do país, ainda mistas, voláteis e muito disputadas.

As tensões são grandes ao norte da Província de Nínive, onde uma forte mudança de poder étnico está prestes a ocorrer. Ela foi o centro da Assíria por vários milênios e é onde vive a maior parte do remanescente cristão do Iraque. Entretanto, nos últimos séculos, tem sido também o território de “fronteira” curda. Quando os sunitas boicotaram as eleições de 2005, abriram as portas para os curdos estenderem seu controle às áreas de maioria árabe, terras arabizadas por Saddam Hussein para assegurar maioria nas regiões ricas em petróleo. Mosul, capital de Nínive e rica em petróleo, tornou-se posteriormente uma linha de frente na insurgência sunita. Após a invasão conduzida pelos EUA na região central do Iraque ter impelido os militantes para o norte, Mosul também se tornou a nova base da Al Qaeda no país, em sua jihad pela imposição do fundamentalismo islâmico.  

Os nacionalistas árabes que, segundo rumores, têm laços tanto com o partido Baath quanto com a Al Qaeda, fundamentaram sua campanha política na promessa de impedir a expansão curda. Agora, eles estão prontos para receber o poder dos nacionalistas curdos, reverter a arabização e ganhar autonomia. Os cristãos assírios que, durante séculos, sofreram perseguição intensa e inúmeros massacres nas mãos de árabes e curdos, teriam sido ameaçados e intimidados por seus votos. A mudança de poder poderia criar uma situação explosiva. Os cristãos iraquianos estarão, mais uma vez, encurralados em meio aos nacionalistas étnicos vingativos e beligerantes para o deleite da Al Qaeda que, sem dúvida, usará qualquer conflito étnico para encobrir sua jihad islâmica.

A catástrofe que sobreveio aos povos cristãos do Iraque nunca é mencionada nas notícias, pois entraria em conflito com a propaganda do “sucesso”. O drama trágico dos cristãos iraquianos é tão profundamente ignorado que você seria perdoado por pensar que eles são invisíveis ou não existem. Este remanescente aterrorizado, traumatizado e desarticulado, que soma hoje menos da metade da população cristã antes da Guerra do Iraque, está enfrentando o genocídio e o retorno ao sistema devastador, desumano e brutal de dhimmitude*.

* Dhimmitude é o sistema islâmico para governar populações conquistadas pela jihad, abrangendo todos os aspectos demográficos, étnicos e religiosos do sistema político. O termo foi criado em 1983 para descrever as condições sociais e legais dos judeus e cristãos sujeitos à lei islâmica.


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