Policial é punido por abusar de menina dalit

Líderes cristãos se encontraram para comemorar a ação tomada contra os policiais que abusaram fisicamente de uma menina dalit.

No dia 3 de fevereiro, o governo de Uttar Pradesh expulsou um policial e suspendeu outro por atormentarem uma moça dentro da delegacia. Eles a acusavam de ter roubado uma bolsa em um mercado do distrito de Etawah.

"A Igreja parabeniza pela ação ter sido tomada imediatamente”, declarou o Pe. G. Cosmon Arokiaraj, secretário da Comissão dos Bispos Indianos para o povo Dalit. O padre espera que todas as religiões desafiem a discriminação baseada na casta.

Dalit em sânscrito significa estragado e é usado para se referir aos grupos mais baixos da sociedade. Na tradicional hierarquia das castas indianas eram chamados de intocáveis. O sistema de castas apareceu com o hinduísmo, religião predominante do local.

Apesar de a Constituição Indiana sustentar a igualdade social, o país continua a apresentar incidentes de discriminação baseada em castas. De acordo com a Agência Nacional de Registro de Crimes, no ano de 2007, 9.819 crimes de discriminação contra dalits foram registrados. O estado de Utta Pradesh encabeça a lista com 2.113 casos.

O incidente de Etawah deflagrou um clamor público, especialmente depois de a mídia ter mostrado imagens de um policial puxando o cabelo da menina.

"Às vezes uma imagem realmente vale mil palavras”, comentou o jornal The Times of India em sua edição do dia 5 de fevereiro, que também citou o incidente como um em meio a uma série de eventos que traem a “crescente intolerância” no país.

De acordo com o padre Arokiaraj, o incidente mostra a mentalidade da sociedade indiana. A atitude das pessoas não mudou e a discriminação com base na casta desacredita o discurso de que a Índia é uma sociedade igualitária, diz ele.

O padre assegura que todas as religiões na Índia, incluindo o cristianismo, praticam esse tipo de discriminação.  As religiões deveriam abominar essas práticas e dizer para seus fiéis se tornarem pessoas de cabeças mais abertas, disse ele, desafiando a Igreja a mostrar o caminho.

O padre Arokiaraj deseja que o governo estabeleça leis duras contra a discriminação baseada em castas e pague indenizações para as vítimas de violência gerada por esse tipo de discriminação. No caso de Etawah, ele espera que o governo garanta a menina tratamento médico e aconselhamento pós-trauma.

Franklin Caesar Thomas, advogado em Nova Déli que cuida de casos de dalits, também vê a discriminação por motivo de castas acontecendo por toda parte na no país. As pessoas pertencentes a castas consideradas superiores ameaçam pessoas da casta dalit econômica e culturalmente, e negam a elas alimento e educação adequados, conta.

De acordo com o Dr. Thomas, que é católico, a polícia frequentemente acusa os dalits por coisas que não fizeram. As mulheres dalits são as que mais sofrem, sendo muitas vezes estupradas e abusadas de diversas maneiras, acrescenta o advogado.

A não ser que o sistema de castas acabe, essas histórias de terror vão continuar acontecendo, assegura o ativista. Ele afirma que a discriminação baseada nas castas permanece mesmo entre as pessoas mais bem educadas, incluindo os funcionários públicos e os policiais.

Na opinião do advogado, as pessoas ignoram as leis contra esse tipo de discriminação porque os delitos são raramente punidos. Da mesma maneira que os crimes contra as mulheres só terão um fim quando a polícia respeitar os Direitos Humanos e garantir o cumprimento das leis.

Joseph A. Gathia, fundador do Centro de prevenção ao trabalho infantil, considera a ação disciplinar contra os policiais da Etawah como um gesto vazio. Ele acredita que os policiais voltarão aos seus postos depois que o clamor popular se calar. Os ativistas católicos esperam que grupos em defesa dos direitos humanos assumam o caso para que um tribunal possa punir os culpados.

Apesar disso, ele admite que a lei não tem o poder de erradicar a discriminação; para que isso aconteça, uma revolução social é necessária.

A sociedade deviria garantir a todos o direito a uma vida digna e as pessoas deveriam estar empenhadas em passar essa mensagem, conclui Joseph. Para acabar com a violência gerada pelo sistema de castas, ele propõe que os Direitos Humanos sejam incluídos na Educação Básica.