Intelectuais pedem maior flexibilidade religiosa para os muçulmanos

| 10/03/2009 - 00:00


Intelectuais islâmicos de províncias de predominância não-muçulmana querem que os muçulmanos que vivem nessas áreas recebam algumas vantagens religiosas a fim de integrá-los melhor à sociedade local.

Aproximadamente 30 intelectuais que vivem em províncias como Bali, Nusa Tenggara Oriental, Maluku, Sulawesi do Norte e Papua compartilharam essa e outras opiniões relacionadas durante uma reunião realizada nos dias 18 e 19 de fevereiro, em Jacarta.

A Conferência Internacional de Intelectuais Islâmicos (ICIS, em inglês) organizou o evento, cujo tema foi “Criando uma comunidade muçulmana moderada no contexto da integração nacional”.

Abdul Kadir Makarim, de Nusa Tenggara Oriental, região predominantemente católica disse que lamenta que os muçulmanos não possam participar das celebrações de Natal, organizadas pelos vizinhos cristãos desde 1981. Na época, o Conselho de Intelectuais Islâmicos da Indonésia (MUI, em inglês) lançou um documento proibindo todos os muçulmanos que viviam na Indonésia de tomarem parte nesse tipo de evento.

A província possui 4,2 milhões de pessoas. Os católicos formam 52,9% dos habitantes do local, os protestantes, 33,8%, e os muçulmanos apenas 8,8%.

Os estudiosos apelaram ao MUI a adotarem uma fiqh em locais onde os muçulmanos constituam a minoria. A fiqh é uma expansão da lei islâmica Sharia, que inclui regras jurídicas islâmicas.

Eles afirmam que, para promover o islã como Rahmatan lil "Alamin, ou seja, como uma benção para o mundo, e envolver os intelectuais em promover a paz e prevenir os conflitos, é necessário ter conceitos islâmicos na relação entre os indivíduos, grupos e nações.

Segundo eles, um dos conceitos seria “a relação entre os muçulmanos e os não-muçulmanos na sociedade ou nas nações em que eles formam um pequeno número”, acrescentando que isso incluiria o envolvimento dos muçulmanos com a vida social, econômica e política.

"Os muçulmanos, onde quer que estejam, devem mostrar afeição, tolerância e amor pela paz e a unidade”, afirmam.

Os estudiosos reconhecem as falhas nas relações entre muçulmanos e não-muçulmanos, particularmente em regiões em que são minoria. Isso acontece porque os intelectuais costumavam viver em lugares predominantemente muçulmanos.

Apenas recentemente os estudiosos introduziram o conceito de fiqh pela minoria muçulmana em seus livros.

"Os muçulmanos que vivem em áreas predominantemente não-muçulmanas devem interagir, mantendo boas relações e evitando conflitos com os não-muçulmanos”, apontaram os participantes. Entretanto, eles deveriam manter sua própria identidade cultural e valores islâmicos.

"Espera-se que cada muçulmano seja capaz de distinguir entre a aqidah (a fé) e as relações sociais, e adaptar-se sem sacrificar a aqidah”, eles dizem.

O porta-voz do encontro, Yunahar Ilyas, explicou que a fiqh para a minoria muçulmana seria quando uma lei islâmica é alterada em pontos específicos tais como a definição de comida halal (permitida).

Ore para que a vontade de Deus seja feita na Indonésia. Ore para que essa “flexibilidade” religiosa não aumente a opressão aos cristãos, e sim, facilite a propagação do evangelho no país.


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