Iraquianos têm medo de falar sobre a falta de liberdade no país

| 13/05/2009 - 00:00


Estado de temor mantém cristãos iraquianos em silêncio sobre a perseguição que grupos minoritários vêm enfrentando, disse um arcebispo na terça-feira passada em um encontro privado com especialistas em liberdade religiosa e jornalistas.

Estes cristãos não apenas temem por sua própria segurança, como também receiam que outros cristãos no Iraque sofram retaliações em função de seu pronunciamento a respeito da perseguição, declarou o arcebispo Jean Benjamin Sleiman, chefe da Igreja Latin Mass Church no Iraque, durante um almoço oferecido pelo Instituto Hudson. Essa preocupação tem privado até os cristãos iraquianos que vivem nos EUA e outras nações ocidentais de falar sobre a severa perseguição contra cristãos em seu país de origem.

É como se os cristãos iraquianos falassem duas linguas diferentes, alegou o arcebispo ao pequeno grupo de americanos reunidos para o evento confidencial. Ao papa eles afirmam que sofrem perseguição, mas ao governo declaram viver bem, apesar de problemas eventuais.

“Acho que no Iraque eu sofria por falta de liberdade e de verdade”, contou Sleiman. “Eu entendo o por quê, e não acuso. Meu antecessor dizia que eu não entendia de política, mas via algo real, que era o sofrimento das pessoas. Então ele nunca respondeu questões políticas”, relatou o arcebispo.

Desde que os Estados Unidos lideraram a ocupação do Iraque em 2003, mais de 200 cristãos foram mortos, dezenas de igrejas bombardeadas, e mais da metade da população cristã iraquiana deixou o país.

Em março do ano passado o segundo mais velho clérigo católico no Iraque, o arcebispo Paulos Faraj Rahho, foi sequestrado e assassinado no norte da cidade de Mosul. Meses mais tarde, em outubro, mais de 15 000 cristãos iraquianos deixaram essa região depois de treze moradores cristãos terem morrido num período de quatro semanas, incluindo três mortes em 24 horas.

E apenas na semana passada, três cristãos foram atacados e mortos em Kirkuk, Iraque.

Existe um real estado de temor, que domina e incita muitas pessoas a deixarem o país, relatou Sleiman. “Até mesmo quando eles não passam por dificuldades pessoais, alegam que ‘Se hoje o meu vizinho passa por isso, amanhã será a minha família’”.

Nina Shea, diretora do Hudson’s Center for Religious Freedom, criticou o governo iraquiano por não oferecer proteção suficiente para a minoria cristã do país. Ela declarou que apesar de o vice-presidente do Iraque ter publicamente instado os cristãos a permanecerem no país e prometido segurança, até o momento nenhuma medida foi tomada para seu cumprimento.

“A igreja não pode ser responsabilizada pela proteção dos cristãos iraquianos”, disse o arcebispo Sleiman.

“Eu acho que a igreja até ajuda”, disse Sleiman, “porém em caso de assassinatos e sequestros, faz-se preciso a intervenção da autoridade política e não da igreja.

“Segurança não pode ser nosso dever”, ele afirmou, mostrando que a igreja não pode fazer nada contra o estado de temor.

O arcebispo iraquiano, evitando comentar a atuação política e militar dos Estados Unidos no Iraque, recomendou que aquele país ajude os cristãos iraquianos quanto aos aspectos culturais, tais como educação e emprego. Ele acredita que o conflito no Iraque seja cultural, pois apesar da existência de leis, elas só serão aplicadas quando houver uma conscientização dos cidadãos.

Muitos cidadãos ainda não compreendem o conceito de democracia e votam preferencialmente em seus representantes pessoais e não em candidatos, ele contou.

Sleiman está esta semana em Washington D.C. para encontrar-se com membros do Departamento de Estado e líderes congressistas a fim de discutir a situação dos cristãos perseguidos no Iraque. Ele planeja também participar nesta sexta-feira do National Catholic Prayer Breakfast (Café de oração nacional) em Washington.

O Iraque está incluído na lista dos países de preocupação específica do Relatório Anual da Comissão americana sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF). Shea, que é especialista em liberdade religiosa no Iraque, trabalha como comissária do USCIRF.


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