Jovem é sequestrada para forçar reconciliação com muçulmanos

A filha de um homem copta foi seqüestrada no Egito, para forçar seu pai a se reconciliar com as famílias dos homens que assassinaram seu irmão.

Amal Estephanos, 19, foi seqüestrada em plena luz do dia em 12 de setembro, por um muçulmano chamado Ibrahim Ali Negan. De acordo com o pai dela, o crime foi testemunhado por diversas pessoas.

“Com esse seqüestro, eles querem me humilhar, e me forçar a aceitar as tentativas de reconciliação”, conta Estephanos.

O copta apelou para o presidente Hosni Mubarak, com a mensagem “Eu quero minha filha de volta. Já foi o suficiente o que aconteceu com meu filho Amir”.

Surpreendentemente, o incidente recebeu uma intervenção da agência de Segurança do Estado, que prendeu a família do seqüestrador até que a garota seja solta. A ajuda dada pelo governo pode estar relacionada com uma queixa de um membro do conselho consultivo egípcio, que afirmou que o seqüestro foi um “ponto final” na tentativa de reconciliação.

Amal, a jovem de 19 anos, parece ter sido levada para a cidade de Aswan, no Sul do Egito, e detida por uma organização que força cristãos coptas a se converterem ao islamismo.

Em abril, seu irmão mais velho, Amir, 22, e seu amigo Adib Hedra Soliman, 22, foram assassinados depois de irem a um culto na véspera da Páscoa. Uma família muçulmana, que tinha conflitos com a família Soliman, abordou os dois jovens. Apesar de Amir Estephanos não estar envolvido na briga entre as famílias, ele e seu amigo foram alvejados com 70 balas. Um terceiro cristão que estava com eles ficou gravemente ferido e perdeu um braço e uma perna por causa dos disparos.

Enquanto o caso está no tribunal criminal de Qena, há muita pressão do Estado sobre as famílias, para que se reconciliem.

No entanto, as “sessões de reconciliação não passam de uma maneira de forçar os coptas a abrir mão de seus direitos de realizar queixas formais. A comunidade cristã no Egito pede, há muito tempo, para que o governo acabe com essas reuniões, que sempre resultam nos coptas retirando suas acusações.