Responsável por ataques anticristãos é acusado na justiça

Em uma manhã, durante a semana de 10 de março de 2008, em Ariel, Israel, David Ortiz abriu sua Bíblia ao acaso, leu as páginas abertas diante dele e ficou cheio de temor.

“Abri a Bíblia em Jeremias, e um versículo se destacou”, conta David, referindo-se a Jeremias 9.21: “A morte subiu e penetrou pelas nossas janelas e invadiu as nossas fortalezas, eliminando das ruas as crianças e das praças, os rapazes”.

“Fiquei com medo”, disse ele. “Recebi como uma promessa, mas incomum.”

Durante semanas, David sentiu que algo terrível iria acontecer com sua família. Seis meses antes, enquanto estava na Noruega, David presenciou uma terrível tempestade na zona rural. O vento arrancou árvores e as atirou no campo. Ainda assim, algumas continuaram firmes. David sentiu que Deus estava usando a tempestade para falar com ele.

“As árvores que estavam enraizadas permaneceram”, conclui.

No dia 20 de março de 2008, o que David temia aconteceu. Quando seu filho de 15 anos abriu uma cesta, deixada como presente no apartamento em Ariel, uma bomba, que estava dentro da cesta, explodiu.

A bomba danificou o apartamento da família Ortiz e destruiu grande parte do que eles tinham. Quando o jovem Ami Ortiz foi levado para o hospital, estava cego, coberto de sangue e queimaduras em todo o corpo, e agulhas e parafusos vindos da bomba. Os médicos disseram para a mãe do menino, Leah Ortiz, que Ami estava “Anush”.

“Literalmente, em hebreu, significa que o espírito está deixando o corpo”, ela diz.

Atualmente, 20 meses depois do incidente, Ami está com 16 anos, na escola e jogando basquete. Na semana passada, o homem que a polícia diz ter cometido o crime foi acusado por tentativa de assassinato.

Além do que foi registrado nos documentos legais, pouco se sabe sobre Jack Teitel, o homem acusado de bombardear o apartamento da família Ortiz. Uma coisa é certa: ele acredita ter agido de acordo com a vontade de Deus. Ao entrar no tribunal, o americano, morador da Cisjordânia, gritava que Deus tinha orgulho dele.

“Foi um prazer honrar e servir meu Deus”, declarou. “Deus tem orgulho do que eu fiz. Não me arrependo.”

A polícia afirma que Jack é um judeu nacionalista ultra-ortodoxo que escolhe seus alvos baseado em sua filosofia. Além do caso de David, Jack é responsável pela morte do taxista Samir Bablisi, do pastor Isa Jabarin, pelo ataque a Zeev Sternhell, da Universidade Hebraica de Jerusalém, pela tentativa de incêndio a um monastério e por diversas bombas.

Jack disse para a polícia que estava tentando matar David Ortiz, pastor de uma igreja judia messiânica denominada Congregação de Ariel, e não pretendia machucar seu filho.

Adi Keidar, advogado de Jack, disse que seu cliente é “mentalmente instável”. Ele mencionou atos que Jack confessou sem ter cometido. Após uma avaliação psicológica feita pelo Estado, Jack foi declarado apto para comparecer ao julgamento.

David Ortiz disse não estar surpreso por Jack afirmar que Deus está orgulhoso dele. David citou diversos versículos bíblicos que alertam para um tempo em que as pessoas matariam e pensariam estar agradando a Deus. Segundo David, Jack o via como inimigo da nação de Israel.

“Ele pensou que o professor e eu fôssemos falsos profetas.”

Apesar de toda a dor que a família Ortiz enfrentou, Leah Ortiz afirma ter visto muitas coisas boas nessa tragédia, incluindo curas milagrosas. Ela disse que o bombardeio amenizou a opinião das pessoas em relação aos judeus que acreditam que Jesus é o Messias prometido pelos profetas.

“O ataque fez com eles fossem confrontados com a maneira como veem Jesus.”