Alvoroço em cidade indiana devido à morte de uma menina de 9 anos

| 27/01/2004 - 00:00


Os cidadãos de Jhabua, Estado de Madhya Pradesh, ainda estão enfurecidos pelo assassinato de uma menina de 9 anos, cujo corpo foi descoberto na propriedade de uma escola missionária no dia 14 de janeiro. O governo local, ministro Kailash Vijayvargiya acredita que os violentos conflitos em Jhabua são o resultado de uma conspiração bem planejada contra a escola católica.

Manifestantes hindus alegam que Sujata, a filha de um vendedor de frutas, estava vendendo frutas em frente à escola missionária católica quando um homem jovem acenou para que ela entrasse na escola. Quando ela não voltou, o irmão foi à sua procura e por fim encontrou o corpo de Sujata na propriedade da escola.

No dia 15 de janeiro, uma multidão de 500 pessoas reuniu-se fora da escola de Jhabua. A multidão forçou a entrada nas dependências da missão, gritando frases anticristãs e atirando pedras contra o pessoal e contra os veículos da propriedade.

A polícia inicialmente dispersou a multidão por volta das 16h, mas esta tornou a reunir-se na propriedade da escola às 19h da noite. Desta vez a polícia usou porretes para dispersar a multidão.

Mais tarde, a polícia prendeu sete pessoas da administração, incluindo o padre John Sunni, encarregado da escola da missão e o diretor da escola.

Observadores disseram que as prisões foram feitas para acalmar a multidão, cuja fúria fora alimentada por grupos militantes hindus tais como o Hindu Jagran Manch (HJM) e o Vishwa Hindu Parishad (VHP). O líder do VHP, Khumsing Maharaj liderou uma multidão de centenas de pessoas à escola e exigiu a detenção do pessoal administrativo.

Alguns dias depois do assassinato, a polícia deteve Manoj Jadhav, empregado de uma companhia de seguros que, ao que se sabe, confessou o crime de estupro e assassinato de Sujata, antes de jogar o corpo na propriedade da missão.

Entretanto, Maharaj alegou que Jadhav era retardado mental e que não poderia ser responsável pelo crime. Além disso ele ameaçou tomar medidas drásticas se os verdadeiros culpados não fossem pegos.

O Hidustan Times de 17 de janeiro citou um porta-voz da diocese católica, que disse estarem o Bajrang Dal, o HJM, o VHP e outras organizações hindus liderando protestos de massa e espalhando informações falsas a respeito do incidente. O porta-voz disse também que estavam sendo trazidas pessoas de Gujarat para agravar a atmosfera já tensa.

Krishna Ben, um discípulo de Gujarat de um famoso guru hindu, liderou uma turba ao vilarejo próximo de Amkhut logo depois do assassinato e fez discursos provocativos contra a comunidade cristã. A turba foi depois à Igreja do Norte da Índia, onde saqueou prédios e outras propriedades da igreja.

Logo em seguida houve retaliação pela comunidade local, composta principalmente por cristãos da segunda geração de origem tribal. A turba hindu foi dispersada, para logo em seguida retornar, armada e em grande número, junto com ativistas do VHP e do Bajrang Dal. Várias casas pertencentes a cristãos foram destruídas pelo fogo pela falta de intervenção da polícia.

Arjun Pal, um membro da organização hindu Seva Bharati, foi morto nos choques daquele dia. A Ministra Chefe, Uma Bharati, linha dura do Hindutva (nacionalista hindu), prestou homenagem a Arjun Pal e disse que fora paga a importância de 100.000 rupias (2.200 dólares) à sua família como compensação.

A Sra. Bharati, falando em reunião de manifestantes hindus, disse que ela desaprovava enfaticamente suas frases negativas. Entretanto, ela apressou-se em acrescentar que os serviços médicos e educacionais oferecidos pelos missionários cristãos em Jhabua não deveriam servir de disfarce para conversões religiosas, reiterando que a conversão através de sedução é contra a lei.

A situação ainda permanecia tensa em 21 de janeiro. Panfletos anticristãos foram distribuídos abertamente em pontos de ônibus, nas ruas e no enterro de Arjun Pal - agora considerado mártir da causa hindu.

Os panfletos advertiam contra conversões forçadas patrocinadas por forças antinacionalistas e missionárias, insistindo que os hindus se unissem e defendessem a Índia como nação hindu. Os líderes do VHP alegaram também que estava em curso um conspiração para criar outra Nagaland em Jhabua. A população de Nagaland, Estado do nordeste da Índia, é pelo menos 50% cristã.

Em Jhabua, faixas e panfletos continuam acusando os cristãos pelo assassinato. Muitos ainda acreditam nas acusações, apesar de uma equipe de investigação dirigida pelo ministro de Estado, Kailash Vijayvargiya ter retornado de Jhabua convencida da inocência do pessoal da escola.


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