Aplicadores da lei islâmica prejudicam mulheres cristãs na Nigéria

| 29/01/2004 - 00:00


Líderes cristãos do norte da Nigéria relatam que continua a aplicação do código legal islâmico, conhecido como sharia apesar dos protestos e dos choques drásticos com a liberdade religiosa dos cristãos e outros não-muçulmanos daquela parte do país.

De acordo com relatos dos Estados de Zamfara, Bauchi e Borno, 23 mulheres cristãs foram levadas perante tribunais islâmicos por acusações que vão desde não concordância com o código de vestimenta muçulmana até prostituição por se recusarem a casar-se cedo.

No dia 30 de dezembro de 2003, 15 mulheres cristãs da área de Sabon Gari, da cidade de Gussau, foram detidas pela unidade de aplicação da lei islâmica do governo do Estado de Zamfara e foram acusadas de prostituição, segundo Portas Abertas ficou sabendo.

Os líderes do capítulo do Estado de Zamfara da Associação Cristã da Nigéria (ACN) disseram que a acusação de prostituição eram falsas, explicando que, de acordo com o código islâmico, espera-se que toda mulher se case com a idade de 13 anos. Qualquer mulher que for descoberta não ter-se ajustado a esse requisito é considerada uma prostituta.

Uma mulher solteira, independentemente de sua origem religiosa, é vista por aqueles que aplicam a sharia como uma prostituta, disse o Rev. Linus Awuhe, presidente da ACN no Estado de Zamfara. É por isso que a maioria das mulheres cristãs - quer trabalhem ou não - são vistas como prostitutas e estão sendo maltratadas por aqueles que aplicam a lei islâmica aqui.

O relatório citou Alhaji Bello Kuceri, oficial da Unidade Islâmica do Estado de Zamfaro: Vamos continuar as batidas nos quarteirões cristãos porque estamos sendo pagos para fazer isso, e qualquer pessoa que for pega enfrentará o rigor da lei.

Sabe-se que oito mulheres cristãs da cidade de Missau, Estado de Bauchi, foram julgadas e condenadas numa corte islâmica por não estarem casadas. Cada uma das mulheres teve de pagar uma multa de 300 dólares e recebeu 10 chicotadas como punição. As autoridades então as advertiram para que se casassem imediatamente ou corressem o risco de irem para a prisão.

Alhaji Mohammed Kabir, juiz da corte islâmica que condenou as mulheres cristãs, ordenou que quatro delas escolhessem maridos dentre os muçulmanos que estavam no tribunal, informou o relatório.

O julgamento e condenação dessas mulheres é a continuação da subjugação da minoria cristã ao islamismo no norte da Nigéria, disse à Portas Abertas o Rev. Iliyasu Ciroma, presidente do capítulo da ACN do Estado de Bauchi. Essas mulheres não cometeram o delito de que estão sendo acusadas. Apenas o governo está tentando encontrar motivos para justificar a implementação do sistema legal islâmico.

Em outro incidente, a administração da Universidade de Maiduguri, no Estado de Borno, ordenou que as alunas cristãs adotassem o código islâmico de vestimenta ou seriam impedidas de prestar os exames colegiais.

O professor Jibrila Dahiru Amin, vice-chanceler da universidade, ao que se sabe, anunciou que todas as alunas deveriam adotar o código islâmico de vestuário neste mês e que a não adequação levaria à expulsão.

Em novembro último, fundamentalistas muçulmanos atacaram cristãos na Universidade Maiduguri, matando pelo menos três cristãos e destruíram casas e lojas na cidade. (Ver reportagem Violência no Campus Deixa Três Alunos Cristãos Mortos na Nigéria, Compass de dezembro de 2003). Os líderes cristãos dizem que a imposição do código islâmico de vestuário indica que as autoridades da universidade estão preparando para implementar a lei da sharia na instituição.

Onze enfermeiras cristãs perderam seus empregos há dois anos no Centro Médico Federal de Azare, Estado de Bauchi, por se recusarem mudar seus uniformes de enfermeiras pela vestimenta islâmica quando a gerência do hospital introduziu o código islâmico de vestimenta. Seus esforços para reassumirem o cargo chamou a atenção de grupos de direitos humanos internacionais. (Ver a reportagem Cristãos Britânicos e Nigerianos Tomam Iniciativa pelos Direitos Religiosos, Compass de dezembro de 2003).

O Dr. Peter Jatau, arcebispo da Igreja Católica Romana da Nigéria e presidente do capítulo do norte da Nigéria da ACN, disse a Portas Abertas que o prosseguimento da estrita aplicação da lei da sharia na Nigéria pode levar ao encarceramento de vítimas cristãs inocentes cujo pecado é o de serem cristãs.

Se isso acontecer, Jatau advertiu: Haverá uma crescente tensão, que resultará sem dúvida na ocorrência de mais conflitos religiosos no país, a menos que o governo nigeriano aja com rapidez para deter a terrível tendência.


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