Igrejas protestantes enfrentam ataques

| 29/01/2004 - 00:00


Manifestantes muçulmanos atacaram pelo menos cinco igrejas protestantes nas últimas três semanas nas regiões de Java Oriental, Java Ocidental e norte da Sumatra.

Uma multidão de aproximadamente 100 pessoas atacou a igreja Gereja Protestant Indonesia (GPI) do leste de Bekasi no dia 9 de janeiro. Duas outras igrejas relataram ataques nos últimos dias de dezembro de 2003.

Em um incidente ocorrido em 4 de janeiro, um pastor de Surabaya recebeu ameaças de morte de uma turba armada com facas, que ameaçou incendiar a igreja. Finalmente, uma bomba foi descoberta numa igreja em Medan, norte da Sumatra.

A igreja GPI de Bulak Kapal, leste de Bekasi, reúne-se em uma casa que anteriormente pertencia ao pessoal da Força Aérea. Um membro da igreja disse a Portas Abertas que a GPI Barat (igreja reformada holandesa) usava a casa como templo desde 1975. A casa fica numa área residencial perto da base local da Força Aérea.

Recentemente a igreja solicitou e recebeu permissão para reformar o prédio para dar um aspecto mais normal de templo para os cultos. Entretanto os muçulmanos locais fizeram oposição e se reuniram fora da igreja no dia 9 de janeiro após as orações de sexta-feira na mesquita local Amar Maaruf.

Integrantes da turba invadiram a igreja, carregaram bancos e outros equipamentos para fora e começaram a destruí-los. Outros usaram ferramentas de construção para danificar as paredes do prédio.

Johanis Suripatty, secretário geral da igreja, foi ameaçado com um pé-de-cabra e uma enorme faca. Eles quiseram me atingir quando cheguei e tentei explicar-lhes a nossa situação, disse Suripatty.

A turba exigiu que a igreja interrompesse a reforma e parasse com todos os cultos no prédio.

Os membros da igreja disseram que muitos dos manifestantes não eram do local. Eles foram certamente trazidos de caminhão, que mais tarde foi visto estacionado no terreno da mesquita Amar Maaruf.

O Rev. Tris Nugrahaputra explicou a Portas Abertas que a igreja precisava muito de reformas. Há muito tempo que temos vontade de reformar esta igreja, mas não podíamos devido aos protestos do povo local que não conhecia a história da igreja, disse Nugrahaputra.

A Força Aérea indonésia havia doado a propriedade à igreja em agosto de 1975. Na época, o local media apenas nove por cinco metros. Em 1994, a área do terreno foi aumentada para 18 por 10 metros por ordem oficial.

Quando a igreja pediu permissão para reformar o pequeno prédio no local, o Conselho de Prosperidade da Mesquita (CPM) da mesquita Amar Maaruf pediu aos membros locais que protestassem contra a reforma. Entretanto, a permissão para reforma havia sido concedida em 12 de novembro de 2003, com apoio de autoridades do governo local e de um comandante da Força Aérea.

Uma grande multidão reuniu-se do lado de fora da igreja no dia 28 de novembro depois que começou a reforma, gritando e exigindo que a igreja fosse fechada. A polícia chegou rapidamente e dispersou a multidão.

Nugrahaputra recebeu vários telefonemas advertindo que a igreja seria destruída se a reforma continuasse. Dorse Tangkilisan, líder mais velho da igreja, disse que eles decidiram continuar com a reforma, já que tinham permissão do governo. Reunimos também 168 assinaturas e números de identidade de pessoas locais que concordavam com a igreja, disse Dorce.

No dia 12 de janeiro, os membros da igreja se reuniram com o CPM e autoridades do governo local. Como resultado dessa reunião, a igreja suspendeu temporariamente todo trabalho no prédio. Eles agora se reúnem numa grande tenda na propriedade.

Enquanto isso, quatro outras igrejas sofreram ataques em fins de dezembro e início de janeiro. Uma bomba - que acabou sendo inofensiva - foi encontrada na igreja Gereja Kristen Protestan Indonesia (GKPI) de Medan, norte da Sumatra, no dia 6 de janeiro. O Rev. Andreas Simanungkalit informou a descoberta à polícia local, que removeu a bomba e vasculhou o terreno da igreja à procura de mais explosivos.

Os outros ataques aconteceram em Surabaya, Java Oriental. Manifestantes muçulmanos pressionaram o fechamento de uma igreja Gereja Bethel Indonesia (GBI) de Ora et Labora, Gresik, em 31 de dezembro, e forçou o fechamento da igreja Gereja Kristen Abdiel (GKA) em Anugrah, Kedoyo, Tulung Agung, no dia 4 de janeiro.

O Rev. Latip, da igreja GKA explicou que uma turba de várias centenas de pessoas cercou a igreja e exigiu que os membros interrompessem os cultos. Eles me forçaram a assinar uma carta concordando que a igreja seria fechada e que não nos reuniríamos em nenhum lugar da área, disse Latip.

O Rev. Onisimus Moelyono, da GBI de Ora et Labora recebeu ameaças de morte. Comenta-se que os membros de sua congregação ainda estão traumatizados pelo ataque.


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