Anwer Masih, cristão paquistanês, é preso por fazer comentários sobre

| 29/01/2004 - 00:00


Anwer Masih (foto), 30, foi detido no dia 30 de novembro pela polícia de Shadhra, uma cidade industrial nos subúrbios ao norte de Lahore.

Dois dias antes de sua detenção, Masih encontrou um ex-vizinho na Colônia Paracha, que ele conhecia como sendo Naseer Masih. Sem saber que o homem tornara-se muçulmano cerca de três meses antes e mudara de nome para Naseer Ahmad, Masih perguntou por onde ele havia andado ultimamente.

Eu apenas perguntei-lhe onde ele estava morando, já que eu não o via há muito tempo, disse Masih aos investigadores que o visitaram na prisão várias semanas depois. Depois eu lhe perguntei a respeito de sua barba, mas Naseer foi ficando cada vez mais furioso, e começou a me dizer que a barba era Sunnah (um costume islâmico) e que todo profeta tinha barba.

De acordo com Masih, Ahmad o xingou por tê-lo questionado a respeito de sua nova barba, mas o assunto foi resolvido após alguns minutos e eles foram embora.

Mas na manhã seguinte, Ahmad foi à casa de Masih com cerca de 100 militantes muçulmanos de Muridke, cerca de 110 quilômetros ao norte de Shadhra. Apesar de Masih não estar em casa, a turba de clérigos armados cercaram a casa, gritando ameaças de morte, atirando pedras e tentando atear fogo à casa.

Quando os vizinhos e o conselheiro eleito do distrito, um cristão chamado Salamat Masih interveio, a polícia foi chamada para registrar a acusação de Ahmad contra Anwer Masih. Apesar da declaração inicial de Ahmad ter feito objeção aos supostos comentários de Masih sobre sua barba, não fez qualquer referência a observações depreciativas contra os profetas.

Algumas horas depois, a polícia voltou e prendeu a mãe de Masih, Ceema Bibi. Mas o conselheiro Masih interveio, conseguindo a liberação dela depois de prometer levar seu filho à delegacia de polícia.

No dia seguinte Masih foi levado ao sub-inspetor de polícia, Zulfiqar Cheema, que registrou as acusações formais contra Masih e o mandou para a cadeia. Apesar do oficial de polícia ter registrado as declarações de três muçulmanos que não estavam presentes ao discutível incidente, recusou-se a aceitar as declarações de dois cristãos que eram testemunhas oculares.

A família de Anwer o levou à polícia porque teve medo de que a turba o matasse, disse o conselheiro Masih ao Daily Times.


No Boletim de Ocorrência, Masih foi acusado de acordo com o Artigo 295 do Código Penal do Paquistão (perturbar os sentimentos religiosos de alguém) e 295-A (maldizer um profeta religioso). Desta vez, a declaração de Ahmad alegava que Masih havia difamado os profetas e as crenças islâmicas.

De acordo com moradores da Colônia Paracha, Ahmad tinha uma velha rixa contra Masih devido a um incidente dois anos antes, quando Ahmad foi indiciado por espancar gravemente um de seus vizinhos cristãos. Shahzad Gora Masih, 23, entrou em coma e ainda permanece paralisado devido aos espancamentos de Ahmad. Anwer Masih irritou Ahmad ao encorajar a família da vítima a mover um processo contra o agressor de seu filho, disseram seus vizinhos.

Desde que se tornara muçulmano, Ahmad mora em Muridke, na madrassa Markaz-e-Tayyabba, uma escola islâmica ligada ao grupo militante proibido, o Lashkar-e-Tayyabba.

De acordo com um artigo de 11 de dezembro do Daily Times sobre o caso de Masih, o recém-convertido Ahmad colaborou com o proprietário de uma fábrica local para acusar falsamente Masih de blasfêmia.

Maulvi Ilyas, proprietário da Indústria Têxtil Al-Firdaus, ao que se sabe, havia pressionado os cristãos locais a mudarem de religião. O próprio pai de Ahmad, Payara Masih, foi empregado da fábrica de Ilyas durante muito tempo, mas saiu do emprego quando Ilyas pediu-lhe para que se convertesse, informou o Daily Times.

Ahmad levou meu filho Dilawar para a fábrica, onde Ilyas ofereceu-lhe dinheiro e bens para que ele mudasse de religião, disse o conselheiro Salamat Masih. Sabe-se que outro jovem cristão da vizinhança, Sunil Masih, fugiu de Ilyas sem receber o salário quando o proprietário da fábrica tentou convence-lo a tornar-se muçulmano.

Casado e com quatro filhos, Anwar Masih era diarista sem trabalho no momento em que foi preso. Ele está preso há oito semanas na Cadeia Distrital de Lahore, onde divide uma cela com dois prisioneiros muçulmanos, também acusados de acordo com a notória lei da blasfêmia do Paquistão.

Foram realizadas audiências na corte de instância inferior sobre o caso de Masih nos dias 15 de dezembro e 12 de janeiro. Enquanto isso, seus advogados de defesa que representam o Centro para Assistência Legal e Conciliação (CALC) baseado em Lahore planejam entrar com um pedido de fiança em seu favor perante a Alta Corte de Lahore no dia 31 de janeiro.

As alegações contra Masih precisam ser investigadas completamente, antes que seja tarde demais e Anwer acabe passando alguns anos na cadeia, observou um editorial do Daily Times em 13 de dezembro. Até agora nem uma única condenação devido à lei da blasfêmia foi mantida nos tribunais superiores.

O editorial afirmou que a lei da blasfêmia tem sido completamente mal usada e servido a nada mais que falsos casos e de sofrimento às pessoas. Se (o governo) não pode reformar esta lei, pelo menos deveria considerar seriamente mudanças de procedimento nela para reduzir as chances de seu mal uso.


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