Uma questão de perspectiva

| 02/04/2010 - 00:00


A escuridão e a frieza da noite são mais profundas antes do amanhecer. Como deve ter sido escura aquela sexta-feira para os seguidores de Cristo, que haviam colocado sua esperança nele. Durante a tarde, quando a real escuridão envolveu a terra, aquelas trevas devem ter sido aterrorizantes. Ainda assim, não era o que parecia, e essa é uma das lições mais profundas que podemos aprender do sofrimento e temor da sexta-feira Santa.

A perspectiva é tudo. Os seguidores, familiares e amigos viam a crucificação de Cristo como uma injustiça. O amado, a esperança deles, estava pendurado em uma cruz, crucificado por um crime – blasfêmia – que ele não cometeu, somente para saciar o ódio de alguns. Os judeus que gritaram “Crucifica-o! Crucifica-o!”, viam a crucificação como algo merecido. Os romanos viam o acontecimento como o fim de um problema. Enquanto isso, Deus no céu via um Cordeiro sendo imolado em nome do amor eterno. Ele via a sentença do pecado sendo paga para promover a reconciliação entre Deus e o homem. Ele via pessoas de todas as tribos, língua, povos e nações (Apocalipse 5.9) sendo redimidos, tirados da morte que encobria a todos (Isaías 25.7) e o caminho ao Santo dos Santos sendo aberto (Hebreus 10.19). Querido guerreiro de oração, querido cristão perseguido – confie em Deus, pois as coisas nem sempre são como parecem e o amanhecer logo chegará.

Essa verdade maravilhosa nos dá a segurança para sabermos que podemos confiar em Deus e seguir a Cristo com ousadia, apesar do sofrimento e além do véu.

Ao confiar que nosso Deus Soberano, Provedor e Fiel está sempre trabalhando, podemos seguir a Cristo, adotando suas atitudes. “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Filipenses 2.5-8).

Ao confiar que nosso Deus Soberano, Provedor e Fiel está sempre trabalhando, podemos seguir Cristo tendo sua fé como exemplo. Foi logo após Jesus ter enfrentado a cruz em submissão e fé, que “Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Filipenses 2.9-11). Jesus não duvidou da fidelidade de Deus. Ele não temia ser rejeitado por Deus e abandonado no inferno. Ele entrou nas trevas com a fé absoluta de que Deus, o Pai, que é Fiel por natureza, iria cumprir sua promessa, e que ele iria ressuscitar, vitorioso, no terceiro dia.

Ao confiar que nosso Deus Soberano, Provedor e Fiel está sempre trabalhando, podemos seguir a Cristo além do véu. Cristo rasgou o véu e abriu o Santo dos Santos para nós. Nossas almas estão firmes lá, por meio de nossa união com Ele (Hebreus 6.19-20). Até que um dia viveremos lá, e o veremos face a face. Mas mesmo hoje, podemos entrar além do véu quando intercedemos por nós mesmos e por outros. Como esse privilégio é negligenciado! Queridos irmãos – entrem além do véu, confiando que Cristo já nos abriu o caminho.

Por que há tanto orgulho e arrogância? Por que nossa fé é tão instável? Por que oramos tão pouco? Que a Páscoa possa nos encorajar: as coisas nem sempre são como parecem, e e o amanhecer logo chegará.

Jesus Cristo nos mostrou o caminho. Vamos segui-lo.  

Por Elizabeth Kendal
Integrante da Comissão evangélica australiana pela liberdade religiosa (AEA RLC)


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