Mais igrejas forçadas a fechar na Indonésia

| 27/02/2004 - 00:00


Duas igrejas fecham as portas após protestos de muçulmanos. Uma campanha silenciosa, porém sistemática contra as igrejas cristãs continua sendo feita na Indonésia, com mais várias igrejas fechadas ou forçadas a se mudarem após os protestos de 25 de janeiro de moradores locais.

Entre as igrejas atingidas pelos protestos estão a Gereja Kristus Rahmani Indonesia (GKRI) Yosua, e a Gereja Kristen Kemah Daud (GKKD), no número 7, Bloco K, ambas localizadas no shopping center Makhota Mas, na cidade de Tangerang, província de Banten. A instituição Yosua, uma beneficência administrada pela GKRI, também foi forçada a fechar, junto com a Instituição Kemah Daud, administrada pela igreja GKKD.

Outras igrejas ou organizações afetadas são a Gereja Kristen Baithani, no Número 15, Bloco N, do mesmo shopping center, e a Fundação Kasih Abadi, administrada pela igreja. A Gereja Kristus Jemaat Mangaa Besar, que se reunia no Número 22, Bloco N, também foi fechada. Finalmente, a Gereja Bethel Indonesia (GBI) e um ministério associado, o Ministério Emmanuel Rahmat, também foram forçados a fechar depois dos protestos.

O Rev. Gideon, pastor da igreja GKRI Yosua, disse a Portas Abertas que uma turba de cerca de 70 pessoas reuniu-se em frente ao local de reunião deles no shopping center Makhota Mas no dia 25 de janeiro. A turba fez primeiro uma manifestação fora do shopping center, mas depois entrou na igreja. Alguns dos manifestantes subiram ao púlpito e exigiram que a igreja parasse com suas reuniões no prédio.

Os mesmos manifestantes atacaram também outras igrejas que estavam reunidas no shopping center, pichando suas portas e exigindo que não mais se fizessem reuniões no Makhota Mas.

A polícia chegou quase duas horas depois quando a maior parte dos membros da igreja tinha ido embora e os manifestantes não estavam mais no local.

Gideon explicou que a igreja GKRI havia solicitado permissão para construir seu próprio templo em 1996, mas as autoridades locais ainda não responderam. Por esse motivo, eles decidiram reunir-se no shopping center, já que cerca de 200 membros da igreja moram nas vizinhanças do local.

No dia 16 de dezembro de 2003, os líderes da Rukun Warga, uma sociedade civil local, mandou uma carta aos diretores do shopping center Makhota Mas, pedindo que eles revogassem a permissão para que a igreja GKRI se reunisse em suas dependências. Na mesma carta ele solicitavam local para o culto muçulmano no Makhota Mas.

Rukun Warga não é um grupo estritamente muçulmano, mas a maioria de seus membros são.

No dia 29 de dezembro, a Rukun Warga enviou uma carta aos líderes da igreja GKRI, reclamando que os muçulmanos que moravam na área se opunham às reuniões no shopping center.

De acordo com Gideon, quatro homens em particular encorajaram os muçulmanos a protestarem contra as reuniões das igrejas no Makhota Mas. Um desses homens, Esin Suhendi, chefe da unidade local da Rukun Warga, disse a Portas Abertas que as pessoas se opuseram porque as reuniões das igrejas não atendiam as normas locais.

O Rev. Johny Butarbutar, da igreja GKKD do Bloco K, disse que uma turba de cerca de 60 pessoas também visitou a igreja no dia 25 de janeiro e exigiu que esta parasse com suas reuniões no prédio deles. Eles ameaçaram incendiar a igreja se as reuniões continuassem e pintaram a palavra bermasalah (problema), na porta da frente da igreja.

Os 70 membros da igreja saíram imediatamente do templo e desde então eles se reúnem em casas particulares.

O comissário de polícia, Ketut Yoga, encarregado dos assuntos policiais de Tangerang, disse que tentaria organizar uma reunião com as igrejas locais, o governo e autoridades muçulmanas. Ele esperava que uma discussão entre os diferentes grupos viesse a ajudar a encontrar uma solução amigável.

O Rev. Boy Mangowal, que preside o Fórum de Comunicação Cristã de Banten (FCCB), já convocou uma reunião entre os líderes da igreja e as autoridades muçulmanas. Na reunião, Mangowal tentou explicar que a liberdade de uma pessoa escolher sua própria religião era um direito humano básico. As igrejas estavam se reunindo em locais que não deveriam incomodar seus vizinhos muçulmanos, já que os prédios eram usados somente aos domingos, acrescentou ele.

Entretanto, os líderes cristãos e muçulmanos não conseguiram chegar a um acordo na reunião convocada por Mangowal.

Desde 25 de janeiro, igrejas como a GKRI dirigida por Gideon começaram a reunir-se em casas particulares, mudando-se de uma para outra casa para evitar ofender os vizinhos. Esperamos poder realizar os cultos em nossos antigos locais novamente, disse Gideon.

A província de Banten tem uma reputação de militância islâmica. Recentemente foi organizada uma comissão para forçar a implementação da lei da sharia na província. Várias organizações militantes islâmicas são ativas na área, incluindo o Laskar Jihad, o Front Pembela Islam e o Forum Betawi Rempug.

Acredita-se que muitos desses grupos tenham ligações com a Jemaah Islamiah, uma organização terrorista com células nas Filipinas, Malásia e na Indonésia.


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