Cristã copta é ponto central do conflito em Bagdá

| 16/11/2010 - 00:00


Uma cristã copta egípcia que vive no Iraque chamada Camelia Shehata tornou-se involuntariamente ponto central no conflito do islamismo com o cristianismo. O grupo Al-Qaeda operante no país, que chama a si mesmo de Estado Islâmico do Iraque (ISI, sigla em inglês), atacou a igreja Católica de Nossa Senhora do Livramento Assírio em Bagdá no domingo, 31 de outubro, e agrediram 58 cristãos antes de serem mortos e explodidos.

Por telefone as autoridades iraquianas exigiram dos membros do ISI a libertação de Camelia Shehata, entre outros, quem acreditavam ter convertido ao islamismo, mas sendo presa contra sua vontade num monastério pela igreja copta do Egito.

Camelia Shehata, esposa de Tedaos Samaan, bispo em Deir Mawas, Egito, desapareceu em 19 de julho. De acordo com a versão oficial da Segurança de Estado, ela discutiu com seu esposo e saiu de casa, hospedou-se em um de seus parentes no Cairo; a Segurança a encontrou cinco dias depois e a conduziu de volta para sua família. Não desejando voltar para seu esposo, ela ficou com seu filho de dezoito anos numa casa para mulheres que pertence à igreja.  

Poucos dias depois um boato espalhado por um xeique fundamentalista alegou que Camelia tinha se convertido ao islamismo e quando estava a caminho da Universidade islâmica Al-Azhar, no Cairo, para autenticar sua conversão, Camelia foi detida pela Segurança de Estado.

Um canal televisivo islâmico convidou a cristã a voltar para o islamismo e manifestações ocorreram de frente à mesquita apelando pela liberdade dela de seu “cativeiro” e acusação a igreja copta e o papa Shenouda por mantê-la refém.

Ela apareceu num vídeo confirmando que era uma cristã e nunca pensou em se converter ao islamismo. Al-Azhar também negou que ela nunca esteve lá, mas as manifestações continuaram.

Hamdi Zakzouk, ministro dos assuntos religiosos, durante um discurso na Universidade em 2 de novembro, afirmou que Camelia nunca se converteu ao islamismo ou foi para Al-Azhar. Ele também criticou excessivamente as manifestações fundamentalistas.

Embora houve confirmações dela ser cristã, outras 14 manifestações foram feitas por muçulmanos radicais no Egito, sua cidade de origem, cada uma sempre começando no início da noite de sexta-feira, depois do fim das orações na mesquita.

Quando os muçulmanos não confirmaram ser ela no vídeo divulgado pela Segurança, esta publicou uma declaração e ordenou aos canais de TV nacionais que confirmasse ser Camelia.

O ministro, que controla as mesquitas e os líderes religiosos, criticou as manifestações para “libertar” Camelia e disse que eram a causa por detrás do massacre da igreja iraquiana e ameaças da Al-Qaeda.

O papa copta Shenouda descreveu o massacre na igreja de Bagdá como “alguma coisa que a lógica e a consciência não podem aceitar”.


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