Turba enraivecida destrói igreja nos Andes bolivianos

| 09/03/2004 - 00:00


Uma turba enraivecida de índios quíchuas destruíram a única igreja evangélica do distante vilarejo de Chucarasi nos Andes bolivianos no dia 28 de fevereiro depois de deixarem inconscientes por espancamento um presbítero da congregação. Os moradores atacaram aparentemente seus vizinhos cristãos porque os culparam por uma chuva de granizo que danificou as lavouras locais.

A confusão começou entre os 140 habitantes de Chucarasi, uma comunidade indígena localizada a 160 quilômetros a sudeste da cidade de Oruro, na província de Bustillos, durante a festa anual do carnaval celebrada para marcar o início da Quaresma. A exemplo de muitas comunidades quíchuas tradicionais, os chucarasi guardam o feriado com a veneração de imagens cristãs-pagãs, danças rituais e excessivo consumo de álcool. Os animistas andinos acreditam que tais atividades são essenciais para satisfazer as deidades locais e evitar catástrofes naturais.

Desde que se converteram ao cristianismo evangélico há vários anos, as trinta famílias pertencentes à Igreja de Deus em Chucarasi deixaram de participar das festas de carnaval. Ao contrário, elas passam os dias de festas em seus campos cuidando de suas colheitas.

No dia 27 de fevereiro, dois dias depois do término do carnaval, uma forte chuva de pedra atingiu Chucarasi, danificando lavouras de tomate e grãos e alimentando o medo de que os espíritos malignos estivessem punindo a comunidade devido a recusa dos evangélicos em participarem do Carnaval. As autoridades do vilarejo anunciaram uma reunião da comunidade para as 18h do dia seguinte e convocaram os membros da igreja para que estivessem presentes.

Todos, com exceção de um membro da igreja, não foram à reunião, suspeitando que os líderes do vilarejo insistiriam, como fizeram várias vezes no passado, para que eles renunciassem a fé evangélica e retornassem ao animismo. Na hora marcada, a congregação reuniu-se em sua modesta capela de barro para orar por reconciliação.

O presbítero da Igreja de Deus, Fortunato Bernal, concordou com a convocação, pensando que sua posição como oficial eleito pela comunidade lhe garantisse imunidade do perigo. Mas, quando Bernal chegou à reunião, baderneiros o agarraram e o espancaram até ele ficar inconsciente.

A notícia do ataque a Bernal chegou aos cristãos que estavam reunidos na capela, junto com uma segunda convocação para que comparecessem perante as autoridades da comunidade às 23h daquela noite. Temendo mais violência, os membros da igreja retiraram-se para o cume de uma montanha próxima para continuarem sua vigília de oração.

Testemunhas dizem que, por volta da meia-noite, uma turba enraivecida carregando picaretas, machados e pedaços de ferro foram à igreja. Encontrando-a vazia, eles destruíram Bíblias, hinários e quebraram o púlpito e bancos antes de destruir as janelas, portas, telhado e paredes do prédio. Quando os crentes voltaram da vigília encontraram um monte de entulho onde antes havia a capela.

Nos dias seguintes ao ataque, os líderes da Igreja de Deus deram queixa ao subprefeito da província de Bustillos, exigindo a reparação. O subprefeito, ao que se sabe, entretanto, tomou o partido dos animistas chucarasi, fixando a indenização para a igreja demolida em somente 25% do seu valor real e recusou-se a prender os baderneiros que atacaram Bernal.

Incentivados pela decisão do prefeito, os líderes chucarasi insistiram em que os crentes evangélicos ou renunciassem a fé ou saíssem da comunidade. Ameaças de morte também começaram a surgir contra Gregorio Conde, o homem credenciado pela introdução do cristianismo evangélico em Chucarasi em 1997. No momento, a congregação da Igreja de Deus que Conde plantou lá conta com um terço da comunidade entre seus membros.

A crescente tensão fez com que Bernal e Conde viajassem para Oruro em busca de apoio dos líderes nacionais da Igreja de Deus.

As pessoas dizem que a pregação do Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo é contra seus costumes e tradições, disse Abel Colque, em Oruro. Durante anos, Colque e outros líderes da igreja tem testemunhado dezenas de confrontos como o que aconteceu em Chucarasi.

Nossos irmãos testemunham que tão logo o Evangelho começa a penetrar em alguma comunidade rural, os moradores imediatamente tentam sufocá-lo, disse ele. Por esse motivo, nós evangélicos queremos estabelecer um precedente nesta comunidade, mostrando que a lei protege os cristãos evangélicos mais do que ninguém.

Desde sua fundação numa loja de frente em 1963, a Igreja de Deus estabeleceu congregações locais em mais de duzentas comunidades rurais nos Andes. É uma das várias igrejas evangélicas da Bolívia que vive um crescimento consistente entre os nativos americanos quíchua e aimara, grupos considerandos resistentes ao Evangelho até os anos recentes.

Neste momento, representantes da Igreja de Deus, da União Cristã Evangélica e da organização interdenominacional Igrejas Unidas estavam se preparando para viajar para a província de Bustillos para negociarem uma solução pacífica para a crise de Chucarasi.

A notícia da comunidade é que, se alguém vier para interferir, será morto, disse Colque a Portas Abertas. Por esse motivo, queremos pedir aos nossos irmãos que orem pela comunidade evangélica de lá.


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