Uma jovem tímida se sacrifica por sua família

| 06/05/2011 - 00:00


Enquanto Lakech crescia, seu pai Selamu e sua mãe Tutu Haile (nomes fictícios), se converteram a Jesus. Eles trabalharam muito e se dedicaram a criar seus oito filhos no temor do Senhor. Mas quando Lackech completou 14 anos, a sua vida foi virada de cabeça para baixo. Ela conheceu o desamparo quando um processo fraudulento contra seu pai transformou em pesadelo a sobrevivência da família.

Até onde Lakech pôde entender, a tribulação de Selamu foi em conseqüência de seus esforços para ajudar sua congregação a construir um templo na cidade de Moche. Embora aqueles crentes estivessem se reunindo em cultos públicos já há quatro anos, foi negado àquela denominação protestante um terreno para a construção do templo.  

Os Pentes – termo pejorativo para os Protestantes utilizado pelos adeptos da Igreja Ortodoxa Etíope (EOC) – enfrentam constantemente muita discriminação porque são vistos como uma “ameaça” para a estabilidade dos ortodoxos. Embora a EOC não seja mais a igreja do estado, os membros do governo, com freqüência, favorecem aos seus líderes.

Há cerca de quatro anos, Selamu ofertou uma parte de sua terra para sua igreja. Os ortodoxos se opuseram a este ato, argumentando que a terra doada era muito próxima do complexo da igreja deles, e ameaçaram com um ataque à propriedade. Desejando manter um bom relacionamento com seus vizinhos ortodoxos, os protestantes desistiram de construir o templo ali.  Mas, logo, os seguidores da EOC começaram a pressionar Selamu para doar para eles aquela terra em troca de um lote que ficava bem distante.

Selamu recusou a proposta, dizendo que o terreno oferecido era muito longe para que ele e sua família pudessem desfrutá-lo. Então, os ortodoxos quiseram comprar aquela terra, mas Selamu novamente recusou, lembrando que a venda de terras é ilegal na Etiópia. A persistência de Selamu enfureceu os líderes da EOC, e em dezembro de 2008 eles encontraram uma oportunidade de desforra. 

A EOC leiloou uma plantação de eucalipto em seu complexo em Moche, e um membro da igreja chamado Dagne a arrematou com o maior lance. O novo dono decidiu revender as árvores para vários interessados, entre eles Selamu. Depois de acertado o preço, Selamu pagou a sua parte à vista, mas como é costume na Etiópia nenhum recibo foi passado.

Entretanto, quando Selamu se dirigiu ao complexo da EOC para derrubar suas árvores, um líder ortodoxo o denunciou à polícia. Ele foi acusado não só de invasão, como também de ofensas à fé da EOC, além de roubo das árvores. Selamu acabou preso.

A batalha judicial começou com uma audiência poucos dias depois, se estendendo por um ano até novembro de 2009, quando a Corte declarou o pai de Lakech culpado e o condenou a um ano de prisão.  Enquanto isso, Selamu dividia uma cela com 50 criminosos e sua família foi lançada na tribulação.

“Eu passava várias noites sem dormir pensando em minha família”, disse Selamu. “Embora eu tenha ficado, no princípio, confuso sobre a razão da EOC ter desejado tanto o meu mal, depois eu aceitei a situação e percebi que tinha conviver com aquilo. Mas a minha maior preocupação, no entanto, era sempre com a família.”

 Porém, os seus inimigos ainda não estavam satisfeitos. Selamu apelou à Corte e pediu que a sua sentença fosse convertida em fiança, para que ele pudesse cuidar de sua família. Mas seus acusadores agiram rápido e pediram que a sentença fosse estendida por mais um ano, já que, segundo eles, o crime era muito grave. Os acusadores ganharam a causa. 

Em casa, Tutu Haile enfrentava problemas. Os vizinhos escarneciam das crianças, dizendo que o pai delas ficaria preso por mais sete anos. Foi quando Lakech caiu na real sobre o preço que todos na família teriam que pagar com a prisão do pai. “Eu comecei a perceber que estava sendo muito difícil para minha mãe colocar comida na mesa. E não suportei ver minha mãe batalhar sozinha”, contou Lakech. “Eu queria terminar os estudos, mas foi impossível seguir em frente”, ela admitiu. “Minha mãe precisava de ajuda.”
 
Apesar de sua pouca idade e da timidez inata, Lekech deixou a escola e conseguiu um emprego em tempo integral como doméstica num lugar distante de sua cidade. Por longos períodos, ela ficava longe de casa trabalhando, enviando tudo que ganhava para sua mãe. Seguindo seu exemplo, um de seus irmãos mais velhos, também na adolescência, abandonou o colégio e se dedicou à lavoura no pedaço de terra da família.

Então, a igreja local começou a ajudar no sustento daquela família, e Portas Abertas foi alertada para a dificuldade de Tutu, Lakech e Talegeta para, tão somente, conseguirem botar comida na mesa. O ministério Portas Abertas conseguiu suprir as necessidades de todos naquele lar, ajudando na alimentação e também pagando as mensalidades escolares para que Lakech voltasse para casa e concluísse seus estudos junto com seu irmão. 

Pouco tempo depois, para grande alegria da família, Selamu recebeu indulto por bom comportamento e em setembro de 2010 ele foi solto, depois de cumprir cerca de metade da pena. Quando PA visitou a família reunida, com Selamu de volta ao lar, encontrou o pai de Lakesh transbordando de alegria.

“Quando soube que seria libertado, eu imaginava encontrar minha família abatida e passando necessidades, mas aconteceu bem diferente. Nada lhes faltava e tudo estava sob controle. Eu não conhecia o ministério, mas ainda assim Portas Abertas manteve minha família suprida e unida”, Selamu declarou.  

“Eu também pensava que ninguém estava conosco”, revelou a mãe de Lakech. “Mas o Senhor fez cair por terra o inimigo. Eu também não esperava que meu marido fosse libertado tão cedo. Agora é só alegria! Nós agradecemos ao Senhor. Eu me sinto feliz pelo alívio das preocupações e, sobretudo, por ter meu marido ao meu lado. O Senhor me abençoou duplamente; minha filha e meu marido voltaram para casa.”

Tutu concluiu: “Eu quero agradecer a todos que nos prestaram socorro. Não conhecemos fisicamente as pessoas que mandaram vocês até aqui com essa ajuda, mas elas estão em nossos corações. Eu só posso dizer, obrigado! Que Deus lhes recompense ricamente segundo a Sua vontade!”

Nota: os nomes dos pais são pseudônimos, conforme usado anteriormente em artigo de PA; mas foram usados os nomes verdadeiros dos adolescentes (Lakech e Talegeta) com a permissão da família.


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