Trabalhadores batistas são atacados no norte do Iraque

| 17/03/2004 - 00:00


Quatro cristãos americanos que trabalhavam em projetos de ajuda humanitária no norte do Iraque foram mortos e um quinto ficou gravemente ferido quando atiradores desconhecidos dispararam contra o veículo em que eles estavam em Mossul no fim da tarde de segunda-feira (15/03).

As vítimas foram identificadas como Larry T. Elliott, 60, e sua esposa, Jean Dover Elliott, 58, de Cary, Carolina do Norte; Karen Denise Watson, 38, de Bakersfield, Califórnia e David E. Mcdonnall, 28, de Rowlett, Texas.

A esposa de McDonnall, Carrie, 26, permanece em estado crítico num hospital de poio militar em Mossul. De acordo com uma reportagem da Agência France Press de notícias (AFP), a Sra. McDonnall foi atingida por quatro balas no queixo, na perna e no peito.

Todos eles trabalhavam para a Junta de Missão Internacional da Igreja Batista do Sul, sediada em Richmond, Virgínia. A missão da equipe humanitária incluía a pesquisa sobre um projeto de purificação de água para a região e remessa de suprimentos de ajuda, incluindo comida e roupas.

Os cinco estavam trabalhando juntos num carro no lado leste de Mossul quando foram mortos por armas automáticas e granadas lançadas por foguetes por volta das 17:00h. O veículo deles, crivado de balas, foi descoberto logo depois do pôr-do-sol por um policial iraquiano que não estava em serviço, e que levou os dois sobreviventes, David e Carrie McDonnall, a um hospital iraquiano.

David McDonnall morreu algumas horas depois em conseqüência dos ferimentos quando era transportado de helicóptero para um hospital militar americano em Bagdá.

A maior cidade do norte do Iraque, Mossul, tem sido atingida pela violência nos últimos três dias. Militantes atacaram um comboio do governo iraquiano no domingo, matando o secretário regional do trabalho e dos assuntos sociais e o seu motorista. Na segunda-feira cedo, um civil foi ferido e veículos foram danificados quando uma delegacia de polícia foi atacada.

Ainda em outro tiroteio executado de um carro nesta manhã de ontem, uma mulher iraquiana foi morta e seu pai e seu irmão ficaram feridos. A polícia local disse à Associated Press que os agressores devem ter confundido a farmacêutica morta com sua irmã, que trabalha como tradutora numa base militar americana em Mossul.

A menos de uma semana atrás, dois civis americanos que trabalham para a Autoridade da Coalizão Provisória foram mortos a tiros junto com seu tradutor iraquiano numa emboscada no sul de Bagdá.

Hoje o alto comandante militar dos Estados Unidos no Iraque, o general Ricardo Sanchez, admitiu que militantes iraquianos parecem ter desviado o foco dos alvos militares para atacarem civis estrangeiros e seus colegas iraquianos envolvidos em projetos de reconstrução.

Houve uma mudança clara na insurgência e na forma como os extremistas estão realizando as operações, declarou Ricardo durante uma cerimônia militar em Tikrit. Está muito claro que eles vão procurar atingir esses alvos e podem criar algumas divisões dentro da coalizão.

Hoje também, dois civis europeus que trabalham num projeto de suprimento de água no sul de Bagdá foram mortos perto de Mussayab, junto com um motorista e um policial iraquianos. Mais dois iraquianos que viajavam num comboio de dois carros foram feridos. Apesar das informações iniciais indicarem que os dois estrangeiros eram alemães, o governo holandês confirmou que uma das vítimas era de nacionalidade holandesa.

De acordo com a BBC, a coalizão liderada pelos Estados Unidos está investigando agora se os civis ocidentais estão de fato sendo alvos, ou simplesmente foram pegos na falta de lei generalizada que prevalece no país.

O ataque de ontem em Mossul foi o segundo ataque fatal contra cristãos estrangeiros no Iraque no mês passado. O pastor americano batista, John Kelley, 48, foi morto a tiros no dia 14 de fevereiro enquanto ele e outros três pastores americanos voltavam do antigo local da Babilônia para Bagdá num táxi.

Inesperadamente, um furgão branco colocou-se ao lado do táxi e os atingiu com tiros de um rifle AK-47. Seus três companheiros sofreram vários ferimentos com estilhaços, mas John morreu instantaneamente com uma bala nas costas. O grupo estava numa visita de duas semanas a Bagdá para assistir à ordenação de um pastor iraquiano para uma nova igreja Batista na capital. Casado e com quatro filhos, John pastoreou a Igreja Batista de Curtis Corner em Wakefield, Rhode Island.

Em um artigo que saiu hoje no site inglês da Al-Jazeera intitulado: Missionários Cristãos Mortos no Iraque, o canal de notícias por satélite com base no Qatar declarou: A presença de missionários em países de maioria muçulmana causa forte ressentimento a moradores locais como outro elemento de influência estrangeira.

Contrariamente, o grupo de defesa cristã Preocupação com o Oriente Médio (Middle East Concern - MEC) observou numa nota à imprensa hoje que muitos missionários cristãos que trabalham atualmente no Iraque relatam uma boa acolhida por parte dos iraquianos por eles ajudados. Esta assistência inclui treinamento de liderança para os cristãos locais de igrejas protestantes do Iraque recentemente surgidas, bem como a ajuda do desenvolvimento igualmente essencial como a que a equipe Batista do Sul estava dando em Mossul, dizia a nota do MEC.

Os cinco Batistas do Sul mortos ontem em Mossul sabiam que estavam viajando para uma região perigosa do mundo, disse a porta-voz da Junta de Missões à Associated Press, Manda Roten. O amor pessoal deles por Deus e o desejo de obedecê-Lo teriam superado quaisquer riscos para eles. ...Quando você sente o chamado de Deus para ir além-mar, a segurança não é a preocupação principal.


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