Protesto muçulmano acaba em mortes na Nigéria

| 16/05/2004 - 00:00


Na terça-feira, 11 de maio, milhares de muçulmanos da cidade de Kano, ao norte, tomaram as ruas em protesto contra os recentes ataques a colegas muçulmanos da cidade de Yelwa, no vizinho Estado de Plateau.

Fontes que estavam no local dizem que o confronto acabou ficando violento. As autoridades policiais estimam o número de mortos em trinta, e dizem que outros trezentos ficaram feridos. Acredita-se que milhares tenham deixado suas casas.

Propriedades pertencentes aos cristãos foram saqueadas ou destruídas pelos manifestantes muçulmanos, de acordo com as autoridades.

O comissário de polícia do Estado de Kano, Alhaji Ganiyu Alli Daudu, disse ontem aos jornalistas que as turbas muçulmanas estavam pegando os cristãos de surpresa em suas casas e tentando incendiá-las com eles dentro. Disse que a polícia tinha ordens de atirar para matar com o objetivo de salvar vidas inocentes.

A ordem é necessária porque as casas estão sendo incendiadas e existem pessoas dentro, disse Alhaji. Fomos obrigados a atirar para poder resgatá-las.

O ataque de Kano foi em retaliação pela violência que irrompeu em Yelwa, no dia 2 de maio, no qual a milícia cristã matou vários muçulmanos. O governador do Estado de Plateau, num programa de rádio e televisão, disse que cerca de 65 pessoas foram mortas. Reportagens da agência Associated Press colocaram a culpa pelo tumulto numa dura disputa de terra entre o grupo étnico predominantemente cristão e criadores de gado muçulmanos da tribo Hausa-Fulani.

Fontes cristãs na Nigéria dizem que o conflito começou com o ataque de 23 de fevereiro, por militantes muçulmanos à Igreja de Cristo em Yelwa, que resultou na morte do pastor Samson Bukar e de 48 membros da igreja.

Seja qual for o motivo, o derramamento de sangue é responsável por centenas de vidas, de acordo com relatos das poucas testemunhas oculares que chegam da área. (Portas Abertas pediu uma escolta armada para entrar em Kano para conseguir esta reportagem). O comissário de polícia, Alhaji disse que, dos trinta cristãos mortos, cinco morreram na terça-feira e 25 dia doze. Ele estima que uns dez mil cristãos desalojados pelos ataques procuraram refúgio em acampamentos militares e da polícia.

O xeque Umar Kabo, presidente do Conselho de Ulemás do Estado de Kano, em companhia de outros líderes islâmicos famosos, ao que se sabe, liderou o protesto muçulmano que deu início ao ataque aos cristãos de Kano.

O governador do Estado de Kano, Joshua Dariye, disse acreditar que os ataques aos cristãos são motivados por militantes muçulmanos com a intenção de fazer uma jihad (guerra religiosa).

Joshua disse aos jornalistas que extremistas ligados à rede Al-Qaeda estão por trás do incessante conflito muçulmano-cristão no Estado de Plateau. O governador disse que sua administração descobriu ligações entre a Al-Qaeda e o Conselho de Ulemás, forçando-o a banir os ulemás do Estado de Plateau em dezembro último.

Eles são parte do problema, disse Dariye, referindo-se ao Conselho de Ulemás. Eles (muçulmanos) estão lutando uma jihad. Devido ao fato deles saberem que o Estado de Plateau é um Estado cristão e eles não podem vencê-lo através da jihad, decidiram usar conflitos religiosos... para fazer-nos muçulmanos pela força.

Enquanto isso, o Conselho de Ulemás visitou o presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, na terça-feira em Abuja para exigir que ele declare estado de emergência em Plateau.

>Sabe-se que Obasanjo garantiu aos líderes muçulmanos que faria o que pudesse para encontrar uma solução para o problema. O que tiver de ser feito, será feito, disse ele. Não podemos permitir que a falta de lei seja a ordem do dia. Chegamos a um ponto que precisa ser encontrada uma solução permanente.


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